Roberto Muylaert: Dois penicos e dois rolos de papel higiênico

Forças que se uniram para viabilizar a economia do Brasil, reformar o governo e acabar com a roubalheira são as mesmas que agora se unem para ‘melar’, em causa própria, todo o processo de punição dos esquemas

Por O Dia

Rio - É desalentador o fato de que o governo que aí está há apenas três meses passe a mesma sensação de desalento que havia no ar desde o segundo mandato de Dilma.

As forças que se uniram para viabilizar a economia do Brasil, reformar o governo e acabar com a roubalheira, a partir de um inadiável (segundo eles) impeachment, são as mesmas que agora se unem para ‘melar’, em causa própria, todo o processo de punição dos esquemas de propinas e desvios de dinheiro, além de outros tipos de malandragem em que a nossa República é campeã.

Parece não existir na cabeça dos políticos em geral nenhum propósito de examinar o que seria melhor para a Nação. O que antigamente se chamava de patriotismo foi substituído por pensamentos dedicados a descobrir formas de aumentar o próprio rendimento, de conseguir vantagens para si e para o grupo de colegas que a Operação Lava Jato chama de quadrilhas. E os políticos estarão sempre prontos para aderir ao chamado, em nome de seus interesses pessoais, não importa a que partido ou coligação pertençam os ‘colegas’ cúmplices.

Se houver eleição hoje, é bem provável que alguns dos componentes da gangue reunida em torno de Michel Temer recebam os votos necessários para permanecer no Congresso, não obstante os 12 inquéritos com que conta, por exemplo, o presidente do Senado. O eleitor, em geral, vota no nome que conhece, sem saber de mais nada do candidato.

O Supremo Tribunal Federal, cujo atributo “Supremo” o coloca acima dos mortais, com a maioria de seus membros inatacáveis, conta com alguns pedidos de vista de processos que se alongam indefinidamente, não podendo ser considerados isentos ou normais, dentro do panorama de urgência das apurações de crimes praticados por aqueles que tem foro especial, só podendo ser julgados pelo próprio Supremo.

Os cartunistas conseguem reunir num só desenho aquilo que um editorialista precisaria de uma coluna para explicar.

?Roberto Muylaert, editor e jornalista

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