Por thiago.antunes
Rio - O dicionário Oxford elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano. Ao vermos essa notícia, começamos a nos perguntar qual o significado da palavra eleita e por que ela pode, como dizem os jornalistas, marcar uma época.
Pós-verdade quer dizer, segundo o dicionário Oxford, “algo que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência para definir a opinião pública do que o apelo à emoção ou a crenças pessoais”. Em outras palavras, podemos dizer que a verdade perdeu o valor.
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Estamos deixando de nos guiar pelos fatos e estamos nos pautando pelo que queremos acreditar que é a verdade. Ingleses votaram por sair da Comunidade Europeia guiados por informações que reforçaram seus desejos e convicções, muito mais do que baseadas em fatos e constatações.
Norte-americanos elegeram um lunático falido como presidente por preferir acreditar que ele resgatará a hegemonia e o sonho americano. É verdade o que está sendo dito? Não importa. Eu penso assim, e isso basta para que eu acredite e tome como verdadeiro. Está oficializada a “Era do que eu quero que seja, independentemente do que realmente é”.
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Alguns vão dizer que na política e na ideologia do poder isso sempre foi assim. É verdade, mas apresentar a verdade comprovada sempre foi uma ótima estratégia para enfraquecer as mentiras e as meias verdades. Atualmente parece que a verdade baseada em fatos e dados não convence mais ninguém.
Tenho pensado na influência das pós-verdades na Educação. No campo macro, por exemplo, preferimos acreditar que a falta de verba é o maior (senão o único) problema, desprezando o mal emprego do dinheiro público.
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Ainda nessa seara, optamos pela crença de que apenas mudanças estruturais resolverão os principais problemas educacionais (apenas reformular o Ensino Médio, por exemplo), ignorando a formação dos professores.
Ao olharmos para a prática educacional, identificamos diversas pós-verdades atravancando as mudanças já mais do que comprovadas por evidências. Alunos dispostos em fileiras, aulas exclusivamente expositivas, material didático desinteressante, regras convencionais impostas, currículos imensos, avaliações estéreis e, como resultado, alunos “que não querem nada”. Triste fotografia.
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Júlio Furtado é professor e escritor