Por thiago.antunes
Rio - Os acontecimentos políticos estão se precipitando rumo a um ‘gran finale’ previsto para a conclusão da delação premiada da Odebrecht, atingindo 200 políticos. Dependendo do que apareça de concreto em relação a esses nomes, muita gente passa a correr sérios riscos de perder o emprego federal.
A começar pelo próprio presidente Temer, que inaugurou o governo com boas expectativas para a economia, mas em pouco tempo viu os gráficos de desempenho apontarem de novo para baixo.
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O perfil de Temer sempre foi o de coordenador hábil e articulado, com a capacidade de fazer o Congresso andar para o lado que desejasse. Sua ação no momento tem sido a de sempre, com a diferença de que o Senado está trabalhando em causa própria, dando as costas para os anseios do povo.
A tática de Temer foi formar uma equipe que soubesse manobrar congressistas, o que, segundo ele, formaria um grupo imbatível. Só que essas pessoas eram fichas-sujas demais, e os escândalos levaram ministros para fora do seu governo, culminando com esse estranho caso Geddel.
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O próprio Henrique Meirelles, autoridade inconteste no governo Lula, já começa a receber os conhecidos sinais de fritura no comando da economia. Isso tudo é muito ruim para o país, que precisa se livrar de um governo de coalizão, a distribuir cargos e vantagens para os partidos aliados, deixando em segundo plano os interesses do país. 
Daí surgir um presidente do Senado com 12 inquéritos, sendo ele a pessoa com quem o presidente deveria se entender para fazer passar os projetos que tornarão viável o país.
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Enquanto Temer tenta o limite de gastos, a Reforma da Previdência e outros projetos que já deveriam ter sido aprovados há muito tempo, Renan Calheiros falhou ao tentar se safar da Lava Jato — e ‘caiu’ antes de entender que o país inteiro está de olho nele.
Se Temer sair, quem sabe Fernando Henrique consiga um mandato-tampão até 2018, cargo que ele adoraria ocupar, com muito prestígio e pouca ação.
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Chegados ao ano da nova eleição presidencial, vamos ver quem sai candidato. Lula seria uma aposta ainda forte, caso não esteja encalacrado no processo Odebrecht. Com Dilma na Casa Civil, poderia começar tudo de novo, numa piada macabra.
Roberto Muylaert é editor e jornalista