Por thiago.antunes
Rio - No dia 8 de novembro, dois episódios, um nos EUA e outro no Rio, mostraram a força da antipolítica: a eleição de Donald Trump e a invasão da Alerj, por policiais alcoolizados e armados, em protesto contra as maldades do governo estadual com os servidores.
No primeiro caso, um outsider, que abriu fogo contra a política, os políticos, a mídia e os imigrantes, foi eleito presidente. Trump expressou preconceitos do americano médio, para ele os “americanos reais”.
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Seu discurso foi voltado para brancos, com pouca cultura, empobrecidos pela crise, atingidos pela globalização e orgulhosos do poderio dos EUA. Seus lemas eram: “Fazer os EUA grandes de novo” e “Americanismo, não globalismo”.
No segundo caso, o grito de guerra dos policiais dizia tudo. Ignorando que o deputado estadual filho do Bolsonaro-pai apoiava o pacote contra o qual se insurgiam, eles expressavam o repúdio à política gritando seu nome. Intimidaram seguranças da Alerj, depredaram equipamentos e ameaçaram deputados.
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A rejeição à política já tinha se expressado nas eleições municipais, quando o ‘não voto’ (soma de abstenções, votos em branco e votos nulos) foi recorde. A antipolítica foi uma forma de manifestação...política. Da direita.
Coisa semelhante aconteceu na Europa dos anos 30 e azeitou o caminho para o fascismo. Agora, conduza ou não ao fascismo, a rejeição à política favorece o conservadorismo, porque sem ela não há mudança.
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Vale ainda lembrar:
1. As investigações da Lava-Jato, se não forem contidas, como quer o governo Temer, vão desarrumar ainda mais o quadro político. E não será fácil contê-las.
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2. Temer pode estar sendo usado para aprovar o pacote de medidas antipovo e ser, depois, descartado. A partir de janeiro seu afastamento deixaria com o Congresso a “eleição” do sucessor. Boa coisa não viria disso.
3. A desmoralização da política, a descrença nas instituições, a recessão, o desemprego, a debilidade da esquerda, o fortalecimento da direita truculenta e a sensação de caos põem em risco a democracia e fortalecem uma saída autoritária. Por isso, a bandeira de eleições gerais deve ser levantada. Ademais, em eleições o criminoso programa de Temer — reformas trabalhista e da Previdência e PEC 55 — não teria chances.
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Cid Benjamin é jornalista