Por thiago.antunes
Rio - Disse um ministro do STF: “Na Operação Lava Jato, toda vez que se puxa uma pena, vem uma galinha”. A sentença, entre as melhores do ano, em princípio imprópria para um jurista de tão solenes responsabilidades, sugere que os caminhos abertos por qualquer indício de ilegalidade na Lava Jato levam necessariamente a graves crimes, o que se confirma a cada dia: mais galos, com privação de liberdade e com desonra, têm suas cristas raspadas e vestem camisetas com as cores de seus novos palácios em Curitiba, Bangu 8 ou Papuda.
Imprescindível lembrar a Bíblia e o relato de Mateus sobre a profecia da negação feita por Jesus, que se renova sob outras formas no Brasil. “Disse Pedro: ‘Ainda que sejas para todos uma pedra de tropeço, nunca o serás para mim’. Jesus respondeu: ‘Em verdade te digo que esta noite, antes de cantar o galo, três vezes me negarás.’
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Replicou Pedro: ‘Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei.’ Todos os discípulos disseram o mesmo”. Mas a música também sempre tem suas razões e diz irônica: “Antes de o galo cantar, vou te negar três vezes. Eu sou cheio de virtudes, mas sem grana fico louco. Eu digo que não me vendo, mas qualquer drinque me compra.”
Crimes praticados contra a honra e a riqueza da nação, seus valores, necessidades e aspirações, são realmente hediondos e exigem justas, exemplares e imediatas ações dos institutos de defesa da sociedade.
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Assim, galos encarcerados pela Lava Jato logo são abandonados. Seus amigos de fé, irmãos camaradas, parceiros das trevas, desaparecem como diabos e vampiros fogem da cruz e dos dentes de alho e os negam, com veemência e indignação, mais que 33 vezes: “Quem? Nunca estive com ele. Desconheço seus negócios. Sou inocente, pergunte à mamãe”.
Arrogantes galos, príncipes da República, não estufam mais o peito. Confinados no concreto e nas grades dos criminosos comuns, tomam sol uma hora por dia e comem pão com margarina pensando na vida que perderam, aguardando a chegada dos galos maiorais. Cantar de galo como no passado, jamais.
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Resta cumprir a pena, sem trocadilho, sofrido cocoricó, ou a delação premiada. O exemplo não é o melhor caminho para se educar as pessoas, é o único caminho. Como educar crianças e jovens no Brasil, sob estes exemplos da elite criminosa?
Ruy Chaves é especialista em Educação