Por clarissa.sardenberg

Rio - Há décadas se discutem os rumos do sistema penitenciário brasileiro. Vários especialistas anunciaram o caos de hoje e que só tende a piorar. Trata-se de um sistema falido em sua essência, e o massacre do Carandiru não serviu para que as autoridades repensassem a filosofia equivocada em vigor. Agora, com as carnificinas na Região Norte, com quase cem mortos, muitos se mostram surpresos, o que não é admissível, pois, quando se aglutinam pessoas em condições desumanas, fica clara a pouca importância dada à vida e à ressocialização do cidadão.

Não seria surpresa se as autoridades estaduais e até o governo federal fossem denunciados por tribunais internacionais, afinal, se não havia condições de manter tanta gente presa, que fosse solicitada alguma ajuda.

Os presídios no Brasil se tornaram masmorras, com aglomerados de gente nas piores condições. Para sobreviver, é preciso aderir a alguma facção que de lá de dentro dita as ações da criminalidade aqui fora. Internamente comandam a rotina dos detentos, segmentando e fomentando a rivalidade de acordo com as siglas. Realidade que denuncia a impotência e o descaso do Poder Público na manutenção da ordem dentro e fora das grades.

Exemplo são as regalias em prisões em todo o país. E o pior é que todos sabem disso. O que prevalece é a falta de vontade política para mudar esse cenário, que só onera os cofres públicos.

Não é de hoje que se fala em trabalho e estudo para ressocializar os presos, o que acontece timidamente, sem resultados. A grande massa dos mais de 600 mil detentos do Brasil vive ociosa e em péssimas condições que em nada permite se preparar para a volta ao convívio social.

O resultado são ladrões de galinhas misturados com traficantes e assassinos de alta periculosidade. Prisioneiros esquecidos, alguns que já cumpriram pena e outros que nem sequer foram julgados. Tem de tudo e na mistura, e quem sai fortalecido é o crime, que angaria mais mão de obra.

Os massacres de Manaus e de Boa Vista, assim como o do Carandiru, não serão os últimos. pois, superlotados e similares às masmorras, nossos presídios só nos passam a certeza de que o país não prioriza a vida humana, assim como acontece na saúde, educação, segurança e previdência social.

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