Por thiago.antunes

Rio - Esta semana, o escritor Paulo Coelho entrou na lista dos cem maiores pensadores de todo o mundo, segundo a Fundação Albert Einstein — que, supostamente, entende de genialidades. Não é pouca coisa.

O brasileiro está ao lado de outros personagens importantes na área de literatura, ciência, política, economia, etc. Alguns deles já receberam o Prêmio Nobel. Coisa fina.

O curioso é que os livros do Paulo Coelho vendem pra burro em todo o planeta, e aqui também, mas nossa imprensa especializada torce o nariz para suas qualidades literárias. Também acho seus livros fracos e até vou reler alguma coisa dele, a ver se não é apenas preconceito meu. Gostava mais de suas parcerias com o Raul Seixas.

De qualquer maneira, diria que a contribuição do Paulo Coelho para a humanidade tem menos a ver com a literatura e mais a ver com o mercado editorial. Pois eis aí seu grande mérito: levar milhões de pessoas ao prazer da leitura e, aí sim, à compra de livros. Ou temos dúvida de que tudo vira mercado?

Por falar nisso, morreu segunda-feira passada, aos 91 anos, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Esse, sim, merece estar em qualquer lista de grandes pensadores contemporâneos. Escreveu uns 150 livros, sempre fazendo alertas importantes, na intenção, ou na inocência, de melhorar a vida nossa de cada dia.

A tese principal do Bauman diz que estamos vivendo num mundo líquido, onde os relacionamentos, por exemplo, são fluidos como água. Significa que eles se transformam com muita facilidade, ao gosto do freguês, até por causa da velocidade com que corre o nosso tempo. Nada mais é eterno, do jeito que a humanidade pensava antigamente.

Os mais sinceros sentimentos, os amores mais profundos, as paixões mais avassaladoras, os planos mais sinceros: tudo é muito mais volátil que outrora. E assim a banda toca, no ritmo do consumo desenfreado e da falta de espírito crítico da manada sobre seus atos irresponsáveis.

Bauman merece inúmeras colunas, mas vamos ficando por aqui. Já citei e voltarei a citá-lo. Gosto muito, por exemplo, quando ele comenta sobre esta categoria que vos fala, a dos jornalistas. Diz ele que nós, das Ciências Humanas, sabemos de tudo, mas somos totalmente incapazes de resolver algo. É uma boa reflexão para quem vive de ditar regras não só em jornais, mas também nas redes sociais.

Nelson Vasconcelos é jornalista

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