Por thiago.antunes

Rio - O interesse público é o mais alto padrão ético aplicável aos assuntos políticos. Quando nos referimos a isso, estamos enfatizando os supremos objetivos morais de uma associação política, muito embora seus membros possam não ter plena consciência disso.

O ponto central ao se falar de algo que seja bom para o “público”, em vez de bom apenas para parte dele, é estabelecer o contraste entre o bem superior e o bem inferior. Infelizmente, minorias organizadas conseguem auferir benefícios de uma maioria difusa.

Quando as vantagens resultantes do governo são igualmente distribuídas entre todos os membros da comunidade, é alcançada a melhor situação política possível. O interesse público não precisa implicar que todos os homens sejam dotados de benefícios idênticos ou iguais, mas implica sempre que todos devam receber o que lhes é devido, não importa sua modéstia em comparação com o que é devido a outros.

Nos últimos anos, temos visto a ação de grupos governamentais e empresariais se esbaldando na contramão do interesse público. No funcionalismo, o destaque foram os supersalários e as superaposentadorias. No setor privado, prosperaram reservas de mercado e subsídios a torto e a direito.

Sem falar na corrupção que invadiu os partidos, sem exceção. O simples fato de distinguirem os homens, entre o bem e o mal, obriga-nos a pensar e a escrever a respeito do problema da ética e entre os mais importantes desses problemas estão indiscutivelmente os supremos objetivos da vida política.

As instituições e a política são sempre mutuamente interdependentes. A sólida proteção das liberdades civis depende de uma certa espécie de governo e um governo democrático exige sempre um ambiente especial.

Na releitura que costumo fazer em meus livros, recordei a sentença atribuída ao botânico Auguste de Saint-Hilaire, ainda no século 19. Ele dizia, já naquela época, “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Pelo jeito a saúva está acabando com o nosso país. Não podemos concordar com isso.

“Humanidade, justiça e liberdade”, qualquer que seja o sentido específico desse feixe de termos, constituem parte do esquema de valores básicos que é do interesse público executar. O interesse público é um padrão de justiça segundo o qual podem ser apreciados os atos políticos; uma ação no interesse público merece, por conseguinte, a aprovação porque é boa.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor 

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