Marcus Tavares: A escola do amanhã tem de acontecer hoje

Prestes a completar um mês de gestão, torço para o secretário possa enfim traçar e anunciar um projeto de Educação de qualidade que realmente faça diferença para a cidade

Por O Dia

Rio - Recentemente, assisti, na TV, a uma entrevista concedida pelos novos secretários municipais de Cultura e Educação do Rio, Nilcemar Nogueira e César Benjamin, respectivamente. Este último, agora, acumula também a pasta de Esporte e Lazer. Os recém-empossados falaram sobre suas primeiras ideias. Duas metas foram anunciadas por César: o estabelecimento de um ‘pacto de honra’ com professores e diretores no sentido de que todas as crianças aprendam, de fato, a ler, a escrever e a manejar os números com proficiência e de acordo com a faixa etária; e a alocação de todos os estudantes — até 2020 — em turno único, o que deverá ser alcançado com o apoio da pasta da Cultura, por meio do oferecimento de um cardápio de atividades artísticas.

As metas são incontestáveis. Na verdade, desafios constantes de qualquer gestão que priorize a Educação. O fato é que, entra e sai governo, os discursos são os melhores possíveis e muitas vezes se igualam, mas, na prática, pouco se avança. O desejo de toda criança na escola e em turno único é do fim da década de 1980. A parceria entre Educação, Cultura e Esporte com vistas ao horário integral geralmente acontece até a página dois. E o analfabetismo funcional é uma triste colega da sala de aula que vem resistindo há alguns pactos já celebrados.

Ao que parece, falta, verdadeiramente, ao sistema público municipal do Rio, um projeto de Educação de Estado sério, competente, comprometido e prioritário na agenda de todos, do prefeito ao seu secretariado — o que, lamentavelmente, não se vê há muitas gestões.

A política pública municipal de educação já experimentou demais (o que é muito bom). Possui um histórico considerável de projetos-modelo e de sucesso (como é o caso dos tempos áureos da MultiRio). De (boas) iniciativas geridas internamente pela própria secretaria e de algumas parcerias público-privadas. Com toda essa bagagem, é chegada a hora de a escola do amanhã realmente acontecer hoje.

Prestes a completar um mês de gestão, torço para o secretário possa enfim traçar e anunciar, junto com gestores, professores e todo o corpo técnico da pasta, um projeto de Educação de qualidade que realmente faça diferença para a cidade.

Marcus Tavares é professor e jornalista

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