Por bianca.lobianco

Rio - Os prêmios destinados aos melhores do ano já tiveram uma época áurea. Quem não se lembra do Molière, ou do Shell, para Teatro e MPB? Ou, sobretudo, do Golfinho de Ouro e do Estácio de Sá, estes últimos distribuídos pelo Estado do Rio, tendo sido criados pelo Museu da Imagem e do Som? Mas infelizmente desativados há quatro anos, apesar de consagrados. Aliás, tanto o Golfinho quanto o Estácio de Sá são a simbologia claríssima da cidade de São Sebastião. Sugiro, nesta página de Opinião, que o prefeito Crivella resgate ambos, até porque eles foram longa e maturada tradição carioca de 1967 até 2006. Todos esses prêmios, de saudosa e histórica memória, nunca deveriam ter sido extintos. Antes, multiplicados.

Depois de amanhã serão entregues (em certamente refinada cerimônia no Copacabana Palace) os mais importantes prêmios para o Teatro do Rio. Trata-se do Prêmio Cesgranrio, criado por esta ágil instituição de ensino. Dividido em todas as categorias clássicas, que vão de melhor espetáculo aos melhores atores e atrizes, o simples fato de ser organizado por uma organização particular de ensino aumenta a autoridade moral e factual. 

O Prêmio Cesgranrio — Teatro, já na quinta e credibilizada edição, contempla ainda o esquecido teatro musical brasileiro, nunca premiado anteriormente. O que é ótimo. E original.

Pois bem, o mesmo Serpa da Cesgranrio também organiza, na próxima sexta-feira, outra premiação que já perdura por mais de uma década, o Prêmio São Sebastião, conferido pelo Conselho Cultural da Arquidiocese do Rio, que ele também preside, em nome de Dom Orani.

Mas então — poderão arguir alguns desprevenidos —, premiam-se agora padres, ou aqueles que estão em exercício de seus deveres habituais? Nada disso, porque o Prêmio São Sebastião é muito mais amplo que um simples olhar católico de ofício. Ele transcende. E proclama os mais diversos setores da atualidade artística, desde que voltados para a solidariedade e para o espírito cristão de fé no ser humano. São premiados os inúmeros setores que gravitam na área da comunicação, tanto cultural quanto religiosa.

Entre os grandes nomes contemplados estão Ferreira Gullar (in memoriam), Mauro Mendonça e Marcos Caruso (artes cênicas) além de... Maria Bethânia, na música. Como habitualmente ocorre, esta última sempre comove pela simplicidade e rigor. Ao saber que tinha ganhado, pelo fervor de devoção explícita a Nossa Senhora, em honra de quem gravou inúmeras músicas, Bethânia se saiu com o despojamento habitual: “Mas a fé à Virgem Maria me é natural e permanente, porque minha mãe (Dona Canô) me ensinou a amá-la com as canções com que me embalava no berço.”

Portanto, ao saudar a querida cantora e devota, digo-lhe que quem puxa aos seus não degenera. Nunca.


Ricardo Cravo Albin é Presidente do Inst. Cultural Cravo Albin

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