Roberto Muylaert: Um muro em Teófilo Otoni II

Mr. Quizz, representante do presidente Trump, chega ao Brasil pronto a fazer perguntas sobre usos e costumes do país

Por O Dia

Rio - Mr. Quizz, representante do presidente Trump, chega ao Brasil pronto a fazer perguntas sobre usos e costumes do país. Um destacado funcionário do Ministério do Planejamento, em Brasília, responde ao especialista em questionar. Quizz começa fazendo um elogio ao Brasil, antes da inquisição, para tornar simpática a conversa entre o dois.

“Em primeiro lugar, quero cumprimentar vocês, brasileiros, pelo excelente trabalho de organização das duas maiores competições esportivas mundiais, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, cuja abertura foi de tirar o fôlego: bom gosto, precisão, beleza! Gostaria até de aproveitar minha ida ao Rio para visitar o Maracanã”.

“Bem, o estádio agora está abandonado, saqueado e pichado, com instalações e gramado a se deteriorar. Até a Odebrecht, empresa internacional de quem o senhor já ouviu falar, que ficaria com a administração e conservação dessa tradição do futebol mundial, está dando para trás. A razão deve ter sido a Lava Jato, uma operação jurídico-policial que desmascarou gigantesco esquema de roubo e espoliação do estado brasileiro, e que prendeu o presidente da própria Odebrecht, como mostra a capa da edição deste mês da revista ‘Piauí’, um desenho onde 18 presos de roupa listrada dançam com dinheiro na mão. E são personagens reais, governador, senador, presidentes de empresas...”

“Como o governo do Rio deixa isso acontecer com seu patrimônio?”, pontuou Quizz.

“Acontece que o governador do Rio que aprontou isso tudo também está preso, e o estado está tão falido que não paga nem aos funcionários. Por isso não pode assumir o Maracanã.”

“Incrível, tão pouco tempo após os sucessos dessas dois enormes eventos esportivos?”

“Salvamos a nossa honra ao conseguir mostrar ao mundo de que somos capazes. Mas na roubalheira também nos destacamos, coisa de gente grande: uma escala de tal magnitude, que poucos países teriam condições econômicas de aguentar”.

“Estamos falando de quanto?”

“Mais ou menos 14 bilhões de dólares subtraídos do Brasil para contas no exterior, sendo só da Petrobrás mais de 3 bilhões de dólares”.

“Em quanto tempo”?

“Nos dois governos Lula e um Dilma”.

“Mas não é ele que está na liderança das pesquisas para presidente em 2018?”

“Melhor falarmos disso no próximo encontro”.

Continua...

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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