Aristóteles Drummond: Educação conta pontos

Quem passa uma temporada um pouco maior em Portugal entende como um país pequeno, desprovido de riquezas naturais, consegue oferecer serviços de qualidade acima da média brasileira

Por O Dia

Rio - Quem passa uma temporada um pouco maior em Portugal entende como um país pequeno, desprovido de riquezas naturais, consegue oferecer serviços de qualidade acima da média brasileira a seus cidadãos, apesar da crise. É a cultura de gerações na vida austera, no respeito ao próximo, no comportamento recatado.

Até os brasileiros que trabalham e residem em Portugal falam mais baixo, se vestem com mais discrição, adotam conduta mais correta. Embora quase 200 mil, entre oficiais e clandestinos, representam uma parcela insignificante na população carcerária, ao contrário dos vindos do Leste Europeu.

No século passado, foram 40 anos de um governo de exemplar correção, e os anos de delírio que se seguiram não foram suficientes para deseducar o povo português, que ficou com a parte positiva da abertura política e econômica.

A crise continua preocupando, já que parou sua recuperação por equívocos do governo que acaba de completar um ano. No entanto, é compensada pelo fenômeno do turismo, com plena ocupação hoteleira, locadoras de automóveis com dificuldade para atender à demanda, restaurantes cheios e com novidades a cada dia em Lisboa, como no Porto e no interior.

Hospitalidade e simpatia no trato com turistas, bons preços e, sobretudo, muita segurança. E mais: tem clima e gastronomia que atraem, além de jogo e o fato de, no verão, receber os grandes navios de cruzeiro da Europa.

Fácil se observar que o Brasil, com o seu tamanho, possui condições mais favoráveis a receber turistas, e com baixo custo em termos de gastos públicos. A melhor mão de obra é treinada pelo Senac, os investimentos são privados. Faltam apenas uma política de autoridade e disciplina nas escolas públicas e mais polícia nas ruas.

O sucesso do VLT carioca e do metrô demonstra que o povo sabe ser educado quando quer.  Muitas empresas multinacionais estão cada vez mais presentes no país, em função da qualidade de vida das cidades portuguesas, que pode, no futuro, vir a juntar incentivos naturais de um bom ambiente de negócios, o que vem ocorrendo na Europa que abandona os sonhos socialistas.

Portugal vem se tornando também uma opção de moradia permanente, especialmente de franceses e ingleses, e brasileiros, é claro, como os aposentados, o que sustenta o setor imobiliário.

Aristóteles Drummond é jornalista

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