Roberto Muylaert: A gente cansou. Basta!

Uma das maneiras de saber a quantas anda o país é ler as quatro principais revistas semanais num fim de semana

Por O Dia

Rio - Uma das maneiras de saber a quantas anda o país é ler as quatro principais revistas semanais num fim de semana, como acabo de fazer.  Começo pela ‘IstoÉ’, uma revista que perde o amigo, mas não perde a capa, sendo capaz de criar títulos espetaculosos, sem nenhuma consistência.

Como é o caso da matéria “Levei mala de dinheiro para Lula”, onde a figura-chave é um tal Davincci Lourenço, que a própria matéria desqualifica, ao dizer quem ele é. O gráfico que acompanha o artigo é primário, não trazendo informação alguma. É o caso de perguntar a quem essa matéria interessa. Sensacionalista, leva para o buraco o que possa restar de credibilidade à revista. 

Em ‘Carta Capital’, uma foto de perfil do perene senador Edison Lobão, figura sinistra que acaba de inaugurar nova forma de nepotismo, a de passar ao filho a tradição dos negócios escusos, respaldados por anos de experiência do pai.

Ao lado, mais um editorial de Mino Carta, que de novo esbraveja contra a Lava Jato, feita, segundo ele, com o único propósito de alijar Lula da corrida presidencial. Será mesmo? E aquela quantidade de gente presa pela operação, a desmontar esquemas de corrupção que vêm da Proclamação da República?

Será que as qualidades de Lula exaltadas por Mino Carta e que têm a ver com a sua passagem pelo poder podem ser levadas em conta sem nenhuma palavra sobre o gigantesco esquema de corrupção que surgiu às suas barbas?

‘Veja’ tem na capa Alexandre de Moraes, Temer e Eliseu Padilha, especialistas em conseguir manobrar o Congresso para o lado que interessa. Melhor seria pensar no que interessa ao Brasil.

‘Época’ tem capa sobre o “Pavor em Brasília”, e de como os ratos estão tentando abandonar o navio, ou melhor, mudar-lhe o rumo. Virando as páginas, a figura mais simpática que surge é a de Toni Ramos na propaganda da Friboi, que, aliás, lembra o governo Dilma, e o BNDES.

Depois vêm Sérgio Cabral (argh!), João Santana, Romero Jucá e Eduardo Cunha, que, junto com os inefáveis Renan Calheiros, José Sarney e Moreira Franco, acabam por virar o estômago de quem lê. Esse pessoal não está em cana devido ao tal do foro privilegiado, que deve ser extinto logo.Ninguém aguenta mais todos esses caras. É muita sem-vergonhice conjunta! A gente cansou. Basta!

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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