João Tancredo: Golpe de misericórdia no Estado do Rio

Historicamente observamos a privatização como promessa de resolução financeira, porém raramente isso se concretiza, tampouco soluciona as deficiências na prestação de serviços

Por O Dia

Rio - Recentemente discutimos a situação calamitosa enfrentada pelos policiais no Rio, vítimas da péssima administração financeira que vem devastando o estado. Nesse contexto, a tentativa de privatização da Cedae se apresenta como mais uma manobra irresponsável, que não representa de fato um fôlego aos cofres públicos, mas negociatas de grupos específicos que sucatearam o estado. Privatizar um dos últimos ativos relevantes do Rio será o golpe de misericórdia imperdoável numa estrutura falida e sem perspectiva.

Historicamente observamos a privatização como promessa de resolução financeira, porém raramente isso se concretiza, tampouco soluciona as deficiências na prestação de serviços. É como uma casa em que a família enfrenta problemas no orçamento, então resolve vender carro, televisão e até geladeira, mas no fim não consegue pagar as dívidas e se vê sem nenhuma infraestrutura. Assim acontecerá com o Rio, que também já comprometeu os royalties de petróleo, o que certamente fará falta no futuro.

Se nos atermos, por exemplo, à questão do transporte público, cuja qualidade é a pior possível, perceberemos que estar nas mãos da iniciativa privada não é garantia de melhoria. Pelo contrário, há um encarecimento dos serviços sem elevar o nível, ficando aquém do que o cidadão deveria receber não como favor, mas enquanto direito constitucional.

O mais racional seria mudar a gestão não só da Cedae, mas de outras empresas públicas que não funcionam. A situação crítica do estado não seu deu por falta de privatização, e, sim, pelo excesso de corrupção e má administração. Foi um banquete de desvio, superfaturamento e transações escusas movidas pela ganância de grupos que se dizem representantes do povo, mas priorizam os lucros de empresários.
A falta de competência e ética na gestão da máquina pública e a ausência de um olhar honesto para a promoção do bem coletivo parecem impedir aqueles que poderiam promover as mudanças necessárias para reverter esse cenário caótico, começando pelo corte dos cargos comissionados.

Assim, a privatização se apresenta muito mais como um aprofundamento do problema do que como uma possível solução. Entrega para a iniciativa privada uma fonte de arrecadação, afundando ainda mais o estado.

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