Eugênio Cunha: O que compete à família e à escola na Educação?

O mais das vezes, crianças e adolescentes, quando convivem com a ausência de limites em casa, esperam encontrar o mesmo cenário no espaço escolar

Por O Dia

Rio - Um menino de 12 anos praticava bullying na escola. Sua mãe, ao saber do ocorrido, indagou, descrente, onde ele aprendera tal coisa. A mulher mostrava uma sincera indignação, talvez por não saber o que dizer ou por não aceitar a conduta do filho. Essa reação não está muito distante do assombro da maioria dos pais diante de casos afins, cada vez mais frequentes.

Por outro lado, o fato traz a reflexão sobre as responsabilidades da família e da escola na educação. Vejo comumente progenitores contando com habilidades e boa vontade dos professores na condução de situações que não competem a docentes.

O mais das vezes, crianças e adolescentes, quando convivem com a ausência de limites em casa, esperam encontrar o mesmo cenário no espaço escolar. Resultado: conflitos e indisciplina.

É bem verdade que os novos papéis exercidos pelos pais na contemporaneidade, fruto de uma modernidade líquida, como afirma Zygmunt Bauman, distanciaram as famílias de uma convivência frugal, do espaço aconchegante do lar, dos momentos íntimos à mesa de jantar. Hoje, o que se tem é uma vida extremamente agitada, em que não há tempo para quase nada, inclusive para uma boa conversa, que resolveria muitas demandas familiares.

A Constituição diz que a Educação é dever do Estado e da família e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A julgar pelo texto, é incumbência do poder público a oferta do serviço educacional. Da família, é a responsabilidade de educar sua prole. A instituição escolar, além de ser um braço do Estado para a oferta da educação formal, representa, acima de tudo, a cota de colaboração da sociedade civil organizada, na significativa tarefa de formar cidadãos. É responsabilidade da escola promover os vínculos da amizade e os valores da solidariedade no ensino de cada estudante.

Respondendo ao questionamento daquela mãe, digo que, na verdade, o filho não aprendeu a praticar o bullying. O ato delinquente foi uma consequência de o garoto não ter aprendido a conviver, a perder, a respeitar, a entender e estabelecer limites. Essa formação inicia-se em casa e depois se vivencia na sociedade.

Eugênio Cunha é professor e jornalista

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