Por thiago.antunes

Rio - Para boa parte dos estudantes da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), órgão ligado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, o ano de 2016 ainda não terminou. Em razão das paralisações e da ocupação das escolas, que ocorreram no ano passado, e da falta de condições em que se encontram, hoje, as instituições, o calendário letivo vai, provavelmente, até o início de abril.

Provavelmente, pois no atual governo do Estado do Rio vive-se um dia de cada vez. Sempre é bom reiterar: professores e funcionários da Faetec estão com seus salários atrasados. A classe docente, por exemplo, ainda não recebeu o 13º salário, férias e o mês de fevereiro. A última parcela de janeiro foi paga ontem.

O sentimento é de desânimo geral. Que o diga também o estudante. A sensação que paira no ar é de frustração. Tive a oportunidade de conversar com alguns jovens que até então carregavam o orgulho de pertencer à Faetec. Acreditavam que tinham — de fato e de direito — entrado para uma instituição de ensino público de qualidade. De acordo com eles, o sonho durou pouco.

A frustração também veio acompanhada de um despertar cidadão. Talvez, o único ponto positivo. Para compreender todo o contexto, se informaram. Concluíram tristemente e na pele, o que é sempre pior, que a Educação não é prioridade, por mais que os políticos defendam retoricamente tal fato. Perceberam que muitas vezes são marionetes de um jogo político sujo e desonesto que, ao fim e ao cabo, não investe na Educação como política pública.

É impactante ver milhares de estudantes cheios de sonhos, potencialidades e habilidades sem oportunidades, sem uma perspectiva de uma vida escolar justa, coerente e que deveria ser acima de tudo merecida por respeito e dignidade. Eles afirmam que têm de resistir e lutar. Muitos não sabem por onde começar.

Outros, na verdade, por um esforço muitas vezes hercúleo dos pais e ou responsáveis, já desistiram e migraram para o ensino privado, na esperança de, ao menos, evitar sobressaltos. Mas, todos, sem exceção, fazem a mesma pergunta: qual será o futuro? Um futuro, sem dúvida, resultante de um presente aleijado de direitos. 

Marcus Tavares é professor e jornalista

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