Brizola Neto: O alto custo de ser trabalhista

São inadmissíveis ilações que tentam macular a história de um partido limpo e comprometido com o povo

Por O Dia

Rio - ‘Nascemos e existimos como partido político para mudar o Brasil’ — Leonel Brizola

Ser trabalhista não é fácil. Desde Vargas e Goulart até Brizola, nada define melhor um trabalhista que a expressão “cabra marcado para morrer”. É o adversário das elites e interesses internacionais. Aquele cuja pregação em defesa da soberania, do trabalhador e justiça social não se pode permitir prosperar.

Este depoimento não é do ex-presidente da Juventude Socialista e ex-vice-presidente nacional do PDT. Nem do ex-vereador, deputado federal, líder da Bancada do PDT ou ministro de Estado.

Aqui se pronuncia o neto do Brizola. Cresci no exílio, numa família dilacerada pelo arbítrio e autoritarismo. Assisti a meu avô, homem honrado que ocupou os mais altos cargos e escalões da República por mais de 60 anos de vida pública e enfrentou o poder da mídia, ser apresentado como o maior dos subversivos.

Não por acaso, foi Brizola quem respondeu ao maior número de Inquéritos Policiais-Militares. Jamais foi provada qualquer irregularidade! O obscuro período da ditadura ensinou a mim e aos que com meu avô conviveram a filtrar o denuncismo udenista e o noticiário das corporações midiáticas.

Acompanhei, não como aliado, mas à época adversário da direção partidária, a definição do apoio à presidente Dilma. Tive imensas divergências com a direção partidária. Inclusive, deixei de ser Ministro pela falta de apoio dessa mesma direção.

Por isso, com total isenção, afirmo que a decisão foi pautada pela identidade com quem por décadas foi dirigente do PDT e, ainda mais que o presidente Lula, converge com o trabalhismo.

Admito que na saída do Ministério questionei o pragmatismo eleitoral da presidente. Reclamei do abandono na disputa interna do PDT. Não teria razões para defender um processo de aliança pelo qual acabei vitimado, mas sei que foi fundamentado por princípios programáticos e afinidade ideológica.

O PDT, como os demais partidos, acumula erros. Porém, nas grandes decisões, nas mais fundamentais, que repercutem na vida do povo brasileiro, permanece coerente. São inadmissíveis ilações que tentam macular a história de um partido limpo e comprometido com o povo.

Brizola Neto é deputado pelo PDT

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