Manoel Dias: O trabalhador pagará a conta da reforma

Flexibilizar a CLT é atentar contra o equilíbrio entre a força do trabalho e o capital, as garantias implícitas e conquistas adquiridas ao longo da história

Por O Dia

Rio - A proposta de Reforma Trabalhista encaminhada pelo governo ilegítimo e em discussão no Congresso tem como único desígnio suprimir direitos do trabalhador. Anseio perseguido há tempos pelos donos do capital.

Sabedor que esse tema caro à sociedade jamais ganharia eleição, ele é proposto por meio de um governo usurpador que se utiliza de aleivosias e demagogia para ludibriar o trabalhador.

A sanha desmedida da ganância do capital nunca perdoou as conquistas trabalhistas adquiridas desde a Era Vargas. Desconsideram desonestamente que os custos dos direitos trabalhistas estão embutidos no valor final, somando-se ao lucro.

Flexibilizar a CLT é atentar contra o equilíbrio entre a força do trabalho e o capital, as garantias implícitas e conquistas adquiridas ao longo da história, é humanizar uma relação desarmônica por sua natureza.

Em nome da pseudomodernidade, desconstrói-se a Justiça do Trabalho, substituindo-a por acordos coletivos, que em geral, não têm poder de garantir direitos e avanços para a classe trabalhadora, como também faltam legitimidade de sindicatos para tal.

Altera-se a jornada que pode levar aos tempos da escravatura. Terceirizam-se as atividades-fins precarizando as condições de trabalho, visando inclusive ao serviço público e tirando a responsabilidade constitucional do Estado.

Falácia enganosa que a ‘Reforma Trabalhista’ geraria mais empregos e modernizaria o Brasil. O que gera emprego e produção econômica, projeto de desenvolvimento nacional, é defender as empresas brasileiras e não se comportar como subserviente aos interesses internacionais.

Modernidade é agregar direitos dando dignidade à classe trabalhadora e salários decentes fortalecendo o mercado interno, é respeitar e reconhecer o labor dos que realmente produzem riquezas neste país.

É necessária a unidade das forças progressistas deste país para resistir a esse ataque contra a classe trabalhadora. Um dos tentáculos do golpe é tirar direitos dos trabalhadores de forma sorrateira, sob chantagens cínicas.

O trabalhismo, como corrente política que emancipou o trabalhador brasileiro, que teve na figura emblemática de Getúlio Vargas um dos patronos, não se furtará de lutar e denunciar esse atentado contra o trabalhador.

Manoel Dias é ex-ministro do Trabalho

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