Sérgio Ricardo de Almeida: Jogo legalizado pode salvar turismo e economia

Os destinos nacionais são o objetivo de 80% dos prováveis viajantes, reforçando nossa crença de que a capacidade turística do Brasil pode fazer frente às dificuldades econômicas

Por O Dia

Rio - Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas anima o mercado de entretenimento do Brasil. A intenção do brasileiro de viajar nos próximos seis meses cresceu de 19% para 23%.

Os destinos nacionais são o objetivo de 80% dos prováveis viajantes, reforçando nossa crença de que a capacidade turística do Brasil pode fazer frente às dificuldades econômicas. O mesmo estudo estima movimento de R$9,7 bilhões nessas viagens, gerando recursos para serem reinvestidos na economia.

A atenção ao turismo em meio a adversidades não é novidade. No início da década, a Europa observou movimento importante após o pico da crise enfrentada por lá; até porque o turismo também tem peso na economia de vários países. Na França, mais visitado do mundo, a atividade representa cerca de 7% do PIB.

É o mesmo que gera a indústria automobilística local. Na Grécia, o turismo beira 16%, e o governo desse país declarou que apostava na atividade para tentar tirar o país da recessão.

Mas há uma diferença bastante significativa com o Brasil: na Europa, o jogo é legalizado. Para repetir a Grécia como exemplo — um dos países mais afetados pela crise econômica —, em 2009 eles criaram legislações específicas para diversos modelos de apostas. Agora, a expectativa é aumentar o PIB em 10% nos próximos dez anos por conta dessas iniciativas.

O Brasil caminha para esse futuro promissor. Comissão da Câmara dos Deputados criou um arcabouço muito bem estruturado para subsidiar a decisão pela legalização. O Projeto de Lei 442/1991 foi detalhista em relação às atribuições de todos os entes federativos sobre outorga, fiscalização, controle e destinação de recursos para segurança, saúde e economia.

Recursos esses que, estima-se, renderiam R$ 30 bilhões para cofres públicos brasileiros. Dinheiro que, hoje, está na clandestinidade até porque a legislação proibitiva não impediu que o jogo movimentasse R$ 18 bilhões/ano.

E a relação com o social é algo que não pode passar despercebida. É por isso que nós das loterias estaduais estamos com bastante expectativa em relação à regulamentação. Para podermos reforçar nossos investimentos nos projetos, que hoje só sobrevivem graças a esta vinculação.

Aqui no Rio de Janeiro 70% do lucro da Loterj é integralmente investido em associações que garantem vida mais digna para crianças, idosos, deficientes. Para isso, a pauta precisa ser destravada. Desde o fim do ano passado o requerimento de urgência dos líderes para o Projeto de Lei 442/91 vem tendo a sua votação adiada. Esperamos que esse cenário mude e o país possa dar o passo adiante.

Sérgio Ricardo de Almeida é presidente da Loterj

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