Nilo Sergio Felix: A grande aposta para o turismo

Funcionamento de cassinos foram oficialmente proibidos em 1946. Mas não foi só a roleta que parou de rodar. Foi o progresso de cidades como Petrópolis, Lambari, Poços de Caldas e tantas, Brasil afora.

Por O Dia

Rio - Em 30 de abril de 1946, o presidente Dutra proibiu oficialmente o funcionamento dos cassinos no Brasil. Motivos? Pressão da Igreja Católica e olho no apoio parlamentar da Assembleia Nacional Constituinte de 1945.

Mas não foi só a roleta que parou de rodar. Foi o progresso de cidades como Petrópolis, Lambari, Poços de Caldas e tantas, Brasil afora.

O Brasil foi desligado do radar de um tipo de turista de alto poder aquisitivo, que corre mundo não apenas seduzido pelo pano verde, mas pelas atrações que integram o cardápio dos cassinos.

O que nos penaliza até hoje, se considerarmos um litoral ensolarado de mais de 7 mil km, belezas naturais e construídas, povo acolhedor e, sobretudo, de estarmos livre de cataclismas e (Deus sabe até quando) atentados terroristas.

No entanto, o Brasil recebe menos de sete milhões de turistas por ano. E forma com a Bolívia a exceção dos demais 13 países da América do Sul que permitem cassinos.

Na outra ponta, o exemplo-paradigma é Las Vegas, nos EUA, que tem dois milhões de habitantes, mas recebe milhões de turistas por ano, que deixam nos cofres do estado algo em torno de 45 bilhões de dólares.

Desnecessário multiplicarmos os exemplos. É chegado, portanto, o momento de a opinião pública, através de sua representação parlamentar e do exercício da cidadania direta pressionar o governo para desconstruir uma premissa superada pelo exemplo de outros países, inclusive vizinhos. E apoiar corajosamente a reabertura dos cassinos, a partir de uma análise planejada de suas localizações e de uma fiscalização rigorosa de seu funcionamento.

É um desperdício, em um momento de alarmante crise, renunciarmos a esta fonte de circulação de dinheiro, de geração de postos legais de trabalho e de impacto imediato na indústria do entretenimento — reposicionando o Brasil no mapa dos destinos do turismo internacional proveniente de países prioritários — em nome de um decreto velho de sete décadas.

?Nilo Sergio Felix, presidente do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Turismo e titular da pasta no Rio

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