Por thiago.antunes

Rio - Mais uma vez policiais militares são alvo da sociedade, sendo antecipadamente condenados, num ciclo vicioso que vem de longa data. Infelizmente, a própria população, acuada pelos guerrilheiros narcotraficantes, automaticamente atribuem somente à polícia as tragédias como a que resultou na morte da jovem Maria Eduarda, em Acari.

No entanto, cabe a reflexão de todos sobre o estado caótico a que chegamos, no qual a política de confronto há tempos tem se mostrado ineficaz, somente colaborando com o aumento da morte de civis e policiais, além de fortalecer a criminalidade.

Na prática, cada cidadão tem pouco a pouco vivenciado diferentes formas de violência. As redes sociais disseminam imagens fortes, mostrando uma realidade que tem se tornado comum.

As atitudes dos dois policiais militares que atingiram os criminosos ao chão devem ter várias interpretações. É irresponsável rotulá-los como despreparados. Só quem já esteve num combate pode dizer o grau de estresse que é enfrentar criminosos em maior quantidade e armamento superior. Viver ou morrer pode ser decidido em questão de segundos.

É preciso averiguar o ocorrido, mas, numa troca de tiro, a adrenalina vai às alturas, e o argumento dos policiais — que disseram ter atirado quando avistaram que os meliantes estavam vivos e com armas na mão — é bem plausível, pois num piscar de olhos o alvo poderia ter sido eles. É lamentável, mas num estado de guerra como vivemos no Rio, como em qualquer combate, infelizmente existem situações extremas. Tanto é que somente neste ano já foram executados quase 50 policiais.

Também como numa guerra, inocentes são vítimas. Podíamos dizer que a estudante atingida estava no lugar errado e na hora errada, mas não, ela estava na escola, onde qualquer criança deve estar. Equivocada é a maneira de fazer segurança pública nesse país, na qual o policiamento ostensivo permanece mesmo com as evidências de que não traz resultados .

Passou da hora de repensar essa política, contando com o governo federal numa ação articulada com estados e municípios. O essencial é entendermos que não se faz segurança só com polícia. Falta boa vontade do Poder Público para investir em outras áreas sociais, essencialmente a educação, para que no longo prazo mude esse cenário, no qual somos todos vítimas, incluindo a polícia, que é a que mais mata e que mais morre.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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