Por thiago.antunes

Rio - Descontrole! Essa é a palavra que define as cenas de barbárie que mostraram a execução de dois jovens por policiais militares, ao lado de escola, quinta-feira. Nesse dia, ocorreram confrontos entre moradores de outra comunidade (essa ‘pacificada’) e a PM por conta da morte de um motoboy.

E coroando esse cenário de guerra, por mais de 30 minutos em plena manhã, duas principais vias da cidade, as linhas Vermelha e Amarela, ficaram fechadas, e motoristas tiveram de se proteger, deitando no asfalto, por conta de mais um tiroteio em outro complexo de favelas que as margeia.

Isso não é coincidência. É a expressão da absoluta perda de comando das autoridades responsáveis pela Segurança sobre as forças policiais, notadamente a PM. Atira-se e mata-se ao bel-prazer. As execuções filmadas na sociedade transparente que vivemos são apenas a face visível de ações cotidianas de uma polícia que, sem controle e direção, se transforma em uma máquina de morte buscando criar um ambiente de segurança, fazendo o controle dos indesejáveis mediante a bala e o fuzil.

Oitenta jovens, mensalmente, em sua imensa maioria negros e pobres, perdem suas vidas nessa guerra insana. Policiais são transformados em máquinas da morte e perdem suas vidas num ciclo vicioso e sem fim. Espiral de morte e dor. Diante desse quadro ao qual se soma à falência do governo do Rio, fica no meio a população indefesa e sujeita a balas perdidas, como a que vitimou uma estudante na escola onde foram filmadas as execuções.

Dessa forma, nos resta perguntar: onde está o Rio de paz da Copa do Mundo e das Olimpíadas? Onde estão os legados dos bilionários investimentos feitos na área da Segurança Pública para os grandes eventos? Onde está a efetividade das UPPs decantada em prosa e verso pelo mais longevo gestor da segurança pública que o Rio teve? A resposta é: ruíram como um castelo de areia.

Destarte, como disse o ministro Barroso do STF: droga é um problema de saúde pública. A política de guerra às drogas é um fracasso total dentro e fora das fronteiras do Brasil. E somado a isso, a absoluta falta de liderança e política na gestão da Segurança, com triste ironia o carioca tem de adotar como orientação: corra, que a polícia vem aí! 

Newton de Oliveira é professor de Direito da Mackenzie

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