Nelson Vasconcelos: Feriado. Oba

Tempo para encomendar uns livrinhos, que são bem mais saudáveis e baratos que ovos de Páscoa

Por O Dia

Rio - Bem que a gente merece. Mas é só semana que vem — o que nos dá tempo para encomendar uns livrinhos, que são bem mais saudáveis e baratos que ovos de Páscoa. Ficam, então, algumas dicas. Nada muito cabeça, porque a ideia é relaxar...

Roma é tudo de bom. Imagine, então, ficar por lá um ano, com apartamento pago, escritório, mulher, filhos e uma mesada de mil e tantos euros. E não precisa fazer nada em troca. Bom, né? Anthony Doerr conta em ‘Quatro estações em Roma’ como passou por essa provação. Doerr é o autor do megassucesso ‘Toda luz que não podemos ver’, que nasceu justo nessa sua estada na capital italiana. Ainda bem que inveja não mata.

Sabe aqueles inocentes quadrinhos da infância longínqua? Bem... Eles não eram tão inocentes assim. Em ‘A identidade secreta dos super-heróis’, do Brian J. Robb, você vê como eles estão ligados a interesses políticos da vida real. Robb faz um histórico bem abrangente sobre a criação de alguns dos nossos heróis mais populares, como o Super-Homem ou o Batman. E muito, muito interessante ver como eles agem sobre nossas cabecinhas inocentes.

‘Beleza é uma ferida’, do Eka Kurniawan. Baita companheiro de viagem. Desconcertante do início ao fim. A personagem central é Dewi Ayu, mulher forte e linda, a prostituta mais cobiçada da cidade. Depois de parir a quarta filha, decide morrer. Nem se dá ao trabalho de ver a bebê, que ela acredita ser tão bonita quanto as irmãs. Que nada. É feia que dói.

Mas Dewi Ayu se deita num canto e morre. É enterrada, a vida dos outros segue, e Dewi decide voltar à ativa 21 anos depois. A partir daí, a gente vai tropeçando em esquisitices sem fim, com uma prosa cômica, crítica, cruel e muito inteligente, com direito a paixões e decepções, sexo bom e sexo feio, obscenidades e maldades. Quase todos se salvam. Intrigante.

A física como ela é: ‘A teoria perfeita — Uma biografia da relatividade’, do Pedro G. Ferreira, professor de Astrofísica em Oxford. É rico em discussões e curiosidades. Gostei, por exemplo, da manchete do ‘New York Times’ noticiando que a teoria do Einstein fora provada, em 1919: “Estrelas não estão onde pareciam ou calculava-se estar, mas não há motivo para preocupação”. Gosto também da crítica à mídia em geral, que adora falar de buracos-negros, Big Bang, matéria escura, multiverso e buracos de minhoca como se tudo isso fosse novidade. “Parece que todos se consideram peritos em relatividade geral”, diz Pedro. Tá. Não é tão leitura tão leve, mas é bom pacas.

Nelson Vasconcelos é jornalista

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