Roberto Muylaert: Má gestão custa mais

Hoje não existe fundamento democrático que sobreviva na Venezuela, já que os conceitos 'bolivarianistas' servem para contrariar a vontade da população

Por O Dia

Rio - Muito tempo atrás havia um anúncio que dizia “eu sou você amanhã”. Mostrava o que acontece com quem insiste num caminho errado, tendo em quem se espelhar, alguém com mais anos numa trajetória furada.

Esse conceito nunca foi tão apropriado como agora, quando se compara a trajetória política e econômica do Brasil e da Venezuela, país em que a situação é caótica há muito tempo.

Nicolás Maduro é o sucessor na herança de Hugo Chávez, que manteve o país no caminho equivocado do bolivarianismo, mas pelo menos com condições mínimas de sobrevivência para o povo, coisa que deixou de acontecer desde que Maduro assumiu. Sua reação a supostos conchavos internacionais para retirá-lo do poder faz com que tudo o que acontece no país seja atribuído a conspirações externas.

Hoje não existe fundamento democrático que sobreviva na Venezuela, já que os conceitos “bolivarianistas” servem para contrariar a vontade da população, a ponto de interferir no Congresso e na Justiça do país para garantir o poder. E se a suspeita cai sobre a General Motors, basta atribuir à montadora americana ações de sabotagem contra o governo que justifiquem a sua anexação à massa falida bolivarianista.

É engraçado imaginar os “companheiros” boçais de Maduro assumindo a GM, dando ordens aos colegas, criando vantagens indevidas para eles, até a interrupção da produção de carros.

Lembrar que o Brasil, na base do “eu sou você amanhã”, apoiou os governos da Venezuela por 13 anos, nos governos do PT, chegando a “construir” a Refinaria Abreu Lima em Pernambuco, em sociedade com o governo de Chávez.

Claro que o sócio venezuelano não pagou nada, e o acordo de “camaradas” entre Lula e Chávez nunca foi formalizado, de tal forma que a Petrobras ficou impedida de cobrar os investimentos prometidos pelo venezuelano, e o Brasil ficou com o ônus de garantir, sozinho, o investimento de 20 bilhões de dólares, sem chance de cobrar multas por descumprimento de um contrato no “fio de bigode”.

A dura lição que Lula parece não ter aprendido até hoje é que não existe socialismo entre nações, só prejuízos. E como afirma o prestigiado economista Eduardo Giannetti da Fonseca, por mais que os governos do PT tenham roubado, “o custo da má gestão de Dilma é maior que o da Lava Jato”.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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