Continentino Porto: a maldição dos revisores

É inevitável, a correção cristalina dos 160 erros encontrados pelo jornalista Barcímio Amaral, ao ler o livro “A Ditadura Encurralada”, de Elio Gaspari

Por O Dia

Não tenho nada contra os revisores, nem seria capaz de fazer revisão em livros de famosos jornalistas e escritores. Aqui temos a função senão de mostrar que somos vítimas da revisão. No livro “JK,segundo a CIA e o SN I”, cometi vários erros. Talvez, por constrangimento, não quero usar o termo “pecado da revisão”.

Mas, apesar disso, é inevitável, a correção cristalina dos 160 erros encontrados pelo jornalista Barcímio Amaral, ao ler o livro “A Ditadura Encurralada”, de Elio Gaspari.

Barcímio reconhece que é grande o número de erros na colocação da vírgula. Cerca de cem. Da mesma forma, o excelente redator assegura que encontrou dezenas de vírgulas onde não deveriam ser colocadas.

No meio desses 160 erros, encontra-se o da página 107, ele escreve: “Dispensável. Tudo que está dito nela, nome, número e origem do documento, já está no texto, na página 13”.

Barcímio parte do pressuposto de que não só existe erro na colocação da vírgula. Constata que na página 259, “no texto fala-se que o terrorismo de esquerda argentino arrecadou 61 milhões de dólares com dois sequestros. Na nota, diz-se que a Esso pagou 5 milhões por um diretor e Jorge Bom 61 milhões. Somam, então, 66 milhões”.

Na página 177, linha 15: “Instituo Médico-Legal tem hífen. Deriva de medicina legal. Veja-se página 195, linha 20, “inquérito policial-militar, que vem de polícia militar”.

A outra observação registrada está na página 282, linha penúltima: “ Grajaú não é subúrbio, é Zona Norte, e o bairro se considera de elite.” E faz uma advertência: “Ninguém vai comprar seu livro. O tom pejorativo que se quis dar ao “suburbano” acho que seria algo como pequeno-burguês”.

Não se trata aqui querer condenar o revisor e nem o escritor. Mário Magalhães disse sobre o livro: “Numa engenhosidade narrativa que encadeia os fatos com amarração literária hipnótica, o autor faz um relato que deixa o leitor sem fôlego. Com os protagonistas Geisel e Golbery a bater e levar, mantém uma tensão de trhriller”.

Essas observações feitas pelo jornalista Barcímio, não tira o brilho do livro e não podemos deixar de reconhecer que Elio Gaspar é um dos melhores textos da imprensa nacional.

Continentino Porto é jornalista

Últimas de Opinião