Carlos Alberto Rabaça: A corrupção nas empresas

Os subornos, as pressões, amiguismos e apadrinhamentos são temas da estrutura organizacional de empresas privadas

Por O Dia

Rio - A corrupção é um mal silencioso para o qual só atentamos quando ela salta aos olhos, como acontece com as revelações da Odebrecht que, por sua magnitude, ao envolver atores políticos, ocupam jornais, TVs e redes sociais. Executivos da empresa contam, com riqueza de detalhes, como compraram praticamente todas as lideranças políticas no período pós-ditadura.

Quanto mais descobrimos sobre a corrupção, mais constatamos que não nos roubaram só dinheiro. Roubaram nossos valores. O problema maior é que nos acostumamos com esse flagelo.

Os subornos, as pressões, amiguismos e apadrinhamentos são temas da estrutura organizacional de empresas privadas.

Os exemplos são muitos e vão desde patrocinar alguém para que, estando no cargo, lhe ofereça vantagens, como nomear pessoas incompetentes para maquiar informes e para que não haja qualquer tipo de denúncia frente a irregularidades internas da companhia, ou para comprar consciências e facilitar decisões futuras que lhe sejam favoráveis.

Todas são formas de corrupção que terminam sendo o câncer das organizações privadas. Ser honesto é, nos dias de hoje, questão de valentia e heroísmo. Em muitas ocasiões quem é corrupto não tem dificuldade em passar de oferecimento de vantagens a condutas violentas contra aquele que nega aceitá-las.

A urgência da ética nas organizações não significa só a implantação de manuais de convivência ou bom governo, mas práticas cotidianas e reais, um compromisso sério que se deve assumir. A mescla de corrupção e poder é algo que complica o cenário, mas devemos enfrentar esses males se queremos ter melhores empresas e, assim, sermos um país desenvolvido.

O Brasil tem a real oportunidade de fazer uma reforma, de ter uma sociedade mais participativa e transparente. Podemos ver a situação piorar, quando as denúncias contra políticos e empresários começarem a ser aceitas pela Justiça. Temo novas manifestações violentas e isso seria um cenário propício para um retrocesso.

Estamos diante de uma realidade apocalíptica, mas acredito que a crise pode modernizar a política. A toda hora vemos que roubam o respeito ao bem público. Não pode dar certo uma sociedade com a rejeição dos valores morais, em decorrência da promiscuidade de empresários com políticos.

Carlos Alberto Rabaça é professor e sociólogo

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