Aristóteles Drummond: Cinquenta anos de Zona Franca

Areá foi concretização do desejo que as oportunidades de crescimento da riqueza nacional fossem melhor distribuídas pelas regiões

Por O Dia

Rio - A zona franca de Manaus está completando meio século de existência. O noticiário nacional peca por omissões e a repetição de equívocos, numa verdadeira operação para esconder a verdade, envolvendo a polêmica iniciativa do presidente Castelo Branco que se tornou realidade no governo Costa e Silva, em dedicada atuação do ministro do Interior general Afonso de Albuquerque Lima.

A zona franca foi formulação dos militares preocupados com a integração e a unidade nacional. E o desejo que as oportunidades de crescimento da riqueza nacional fossem melhor distribuídas pelas regiões – afinal, somos um país de dimensões continentais.

Assim é que Manaus se tornou uma cidade moderna e o Amazonas passou a ter uma arrecadação mínima e, principalmente, gerou empregos, salários e garantias sociais. Quando o presidente João Figueiredo deixou o governo, eram cem mil os empregos.

Trinta anos depois, é um pouco menos, fruto da indiferença das autoridades da área econômica, que, não podendo extinguir, congelaram a zona franca, confinada à meia dúzia de produtos.

Risível o argumento de que meio século seria suficiente para que os incentivos fiscais fossem abolidos ou diminuídos. Ora, Manaus continua onde sempre esteve, com seus dramas de isolamento e de infraestrutura. Foi dito até que a vocação da capital amazonense seria o turismo.

O diretor da Eletrobras e ex-presidente da Eletronorte José Antônio Muniz Lopes é um benfeitor da região. Soube conservar a Usina de Balbina, reformular o sistema termoelétrico da capital e agora tocar a interligação com Tucuruí, o que garantirá progresso, desde que com amparo na área econômica. É de técnicos apolíticos e polivalentes como esse que o Brasil precisa ouvir.

No governo Sarney, os militares, sob o comando do general Leônidas Pires Gonçalves, lançaram o Projeto Calha Norte, que, apesar de andar meio abandonado, é vital para segurança e melhor ocupação das fronteiras.

Aliás, as estradas abertas por Mário Andreazza foram abandonadas, como a Manaus- Porto Velho, Manaus-Boavista e Cuiabá-Santarém – esta última feita para escoar pelo Amazonas a produção de Mato Grosso. Todas deveriam ser prioridades nacionais. Isso, sim, é assunto a ser discutido; não o mimimi da política menor!

Aristóteles Drummond é jornalista

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