Por thiago.antunes

Rio - Os longevos carregam uma série de atributos negativos. Começam por não serem considerados capazes de decidir sobre o próprio destino, já consumido pelo tempo. E segue assim o idoso-indivíduo, que já foi alguém há bastante tempo.

O Estatuto do Idoso, de 2003, assinala em seu artigo 10 que “é obrigação do Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis”. Mas a realidade brasileira vai na direção oposta ao estatuto.

Desprovido do direito de decidir, o idoso vê cassado o direito de criar, organizar, opinar e aprovar. O proibido proibir não é adequado ao longevo. A ele só é permitido concordar, assim mesmo, sem assumir a autoria da concordância. Se assumir autoria ou coautoria, estará drasticamente reduzido o valor do que aprovou.

Nem ao livre arbítrio o idoso tem direito. Quando tenta romper seus limites, o mais que consegue é ser desrespeitosamente criticado, com base no argumento ignóbil de que idoso é incapaz para todos. O que se observa é que o idoso tem suas escolhas recebidas sob suspeitas de ineficácia.

Há teorias mais radicais, até de geriatras que sustentam que, a partir dos 70 anos, o idoso não pode ou não tem competência para ter vontade. A sua vontade é determinada e limitada pelo desejo alheio.

O idoso funcionário público ou trabalhador da iniciativa privada, aposentados ou ativos, integra o primeiro grupo mais violentamente atingido pelas medidas econômicas do governo. Mais do que os trabalhadores da ativa, os inativos são afetados por cortes de salários e benefícios, nos estados e municípios.

A última folha a ser paga é a dos inativos. Exemplo gritante dessa discriminação odiosa é a elevação de 11% para 14% da alíquota de desconto previdenciário, com possibilidade de alíquota extra de 8%. Os inativos são os mais afetados. Não podem fazer greve e suas forças físicas não permitem participar de longas manifestações.

Deus permita que o nosso Congresso e a Assembleia Legislativa do Rio tenham a capacidade de aperfeiçoar os projetos de lei em defesa dos idosos, aliviando a carga sobre os aposentados.

Gessy Rangel é jornalista

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