Nelson Vasconcelos: Enamorem-se

A coluna colabora com a paz mundial indicando livros para aqueles que querem ficar bem na foto com o parceiros

Por O Dia

Rio - Eu sei, o Brasil faliu, e o planeta também não vai nada bem. Por isso, considerando a proximidade do Dia dos Namorados, a coluna colabora com a paz mundial indicando livros para aqueles que querem ficar bem na foto com o parceiros. Eis:

1. Não se mexe em time que está ganhando. No quesito amor & poesia, Vinicius de Moraes sempre estará lá entre os primeirões. Aproveite ‘Todo amor’, belíssima edição organizada por Eucanaã Ferraz para a Companhia das Letras, que acaba de sair. São cartas, crônicas, poemas... O material é muito bem cuidado e com achados surpreendentes — pelo menos para mim. As cartas, por exemplo, são ricas (e podem servir de inspiração para o Whats). Além do mais, é impossível não passar horas cantarolando algumas das mais apaixonadas canções da música brasileira, graças à poesia do Vinicius. É batatolina.

2. As paixões me lembram porcelana. São objetos muitos delicados, admiráveis e que, ao mesmo tempo, podem resvalar para a mais vergonhosa breguice. Ok, eu sou um bruto. Mas ‘O caminho da porcelana’, de Edmund de Wall, é uma dica para pessoas curiosas a respeito de coisas inúteis (sou desses). Com muito talento, Wall conta como um montinho de argila bem trabalhada consegue ganhar o mundo e atravessar séculos e continentes. O assunto pode parecer estranho, e é, mas trata-se de leitura leve, sem compromisso, ótima para noites estreladas. Tipo um bom namorico...

3. Os menos brutos haverão de lembrar de ‘A casa das sete mulheres’, seriado da Globo que fez muito sucesso em 2003 (o tempo voa). Novelão de primeira linha. Sua autora, a Leticia Wierzchowski, acaba de lançar ‘Travessia’. É um romance histórico sobre a vida louca do casal Giuseppe e Anita Garibaldi — revolucionários irrequietos que batalharam pela liberdade no Brasil, no Uruguai e na Itália. Grandes personagens tecendo uma história que parece mesmo obra de ficção. Outra sacada da Leticia. E um presente para quem gosta de aventuras verídicas.

4. Por falar em almas irrequietas, vale visitar o século 19 da Anne Brontë. ‘A senhora de Wildfell Hall’ é um romanção de 500 páginas, de 1848, fenômeno de vendas. Relatando os costumes da época, denuncia a desigualdade entre homens e mulheres — donde se vê que essa discussão vem de longe. Anne queria educar os leitores para evitar que os abusos cometidos pelos seus personagens se repetissem na vida real. O livro era tão revolucionário que teve de ser publicado sob pseudônimo masculino. Deveras educativo.

Ah, sim: se um desses presentes chegar acompanhado de uma garrafa de vinho, o namoro vai longe. Portanto, muito cuidado.

Nelson Vasconcelos é jornalista

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