Célio Lupparelli: A escola sob fogo cruzado

Não há plano de segurança que dê jeito na violência quando a Educação não é prioridade

Por O Dia

Rio - Estudo feito pela própria Secretaria Municipal de Educação mostrou que é grande a evasão escolar nas áreas chamadas de risco, em razão dos intensos tiroteios nos arredores das escolas, das mortes por balas perdidas dentro das unidades e, pasmem, também em sala de aula. Em 2016, 821 alunos de 20 colégios dessas áreas abandonaram os estudos por conta da violência.

A situação em algumas escolas do município ficou insustentável. Não há como trabalhar e estudar. O perigo é grande para os professores, os alunos, os funcionários de apoio e para os pais. Um dos principais fatores é a guerra entre as facções criminosas.

Mas também é verdade que as ações policiais, sem um planejamento estratégico adequado para suas incursões realizadas no horário escolar, provocam insegurança. No dia 18 de maio de 2017, três mil alunos ficaram sem aulas devido a tiroteios.

Ocorre que também a vida dentro das escolas tem contribuído para a violência. A falta de professores, a falta de porteiros, de inspetores e de outros profissionais de apoio têm permitido a entrada e a saída livre de pessoas que nada têm a ver com a rotina escolar, trazendo conflitos entre os alunos e com estranhos.

A ociosidade dos estudantes, em algumas unidades, é estímulo para o uso de drogas. A vida escolar está se tornando um inferno. E não podemos nos esquecer do bullying entre alunos, outro fator de grande relevância na evasão escolar.

A solução para o caos na Educação até passa por investimentos na Segurança, porém vai mais longe. Começa pela conscientização de que violência se previne com investimentos maciços em programas educativos.

O atraso na aprovação do Plano Municipal de Educação é uma prova do descaso por parte da prefeitura passada, que enviou o Plano para a Câmara quase um ano depois do prazo previsto para aprovação e de parlamentares que emperram a votação do plano, até hoje, na Casa.

Sem o Plano aprovado, o Município do Rio perde verbas federais para projetos de Educação. E detalhe: em quase todos os municípios do Brasil, o plano já virou lei. O Rio está entre os 0,3% dos que ainda não votaram e promulgaram a lei. Não há plano de segurança que dê jeito na violência quando a Educação não é prioridade.

Célio Lupparelli é vereador pelo DEM

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