Por thiago.antunes

Rio - Foi o deputado federal Tiririca (PR-SP) que revelou, com erros, o salário mensal de um deputado, considerando todos os auxílios que existem. São tantos os itens que dá até a impressão de que essas benesses tenham sido pensadas para diminuir a tentação que acomete muitos dos ilustres parlamentares, quando desfilam à sua frente projetos na casa dos bilhões.

O desmembramento das rubricas que compõem o rendimento bruto mensal de um deputado, segundo a revista ‘Veja’ de 16 de março, indica: salário, R$ 33.763; assessores e servidores do mandato, R$ 97.116,13; cota parlamentar para passagens aéreas e refeições, R$ 37.043,53; auxílio-moradia, R$ 4.253; despesas médicas e odontológicas, reembolsadas na rede privada.

Como todas essas vantagens não diminuíram a vocação propinária da maioria, veio a ideia de criar o ‘auxílio-propina’, não só para parlamentares, mas também para as diretorias das estatais em geral, ficando de fora a Justiça, porque seria o cúmulo imaginar que esses assuntos pudessem dizer-lhe respeito.

As vantagens do ‘auxílio-propina’ são duas: a possibilidade de ter uma expectativa oficial de quanto será roubado no ano, importante para fins orçamentários; e não ser mais preciso fazer obras e compras desnecessárias e absurdamente caras, que só têm sentido para o aumento do valor da propina, como é o caso da refinaria feita com a Venezuela, em Pernambuco, com seu calote anunciado, e a compra de Pasadena, nos EUA, vendida a peso de ouro por quilo de ferrugem.

Para calcular o auxílio-propina é preciso estimar quantas pessoas comporiam o primeiro escalão da corrupção. Digamos que sejam cinco mil. De acordo com o procurador Deltan Dallagnol, são roubados R$ 200 bilhões por ano via propinoduto. Caso dividamos esse valor pelo número de 5 mil beneficiários citados acima, resultam R$ 40 milhões para cada um, por ano. 

Esse valor é muito alto como propina per capita, sendo de bom senso julgar que R$ 20 milhões por beneficiário por ano já estaria bom. Com isso, a economia seria de R$ 20 milhões por beneficiário ao ano, graças ao ‘auxílio-propina’. Economia anual de 100 bilhões de reais para a nação.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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