Juliana Bastos Marques: diversidade natural brasileira em concurso

Criado em 2013, na Ucrânia, o concurso promove a divulgação e o registro de parques, áreas de preservação, além de espécies da fauna e flora ao redor do mundo

Por O Dia

Rio - Boa parte do que sabemos sobre como era a paisagem do Brasil colonial até o século 19 se deve às viagens de exploração dos naturalistas. Na sua maioria estrangeiros, vetustos cientistas empoeiravam suas grossas casacas sertão adentro documentando plantas, animais e paisagens.

Alexander von Humboldt, criador do modelo moderno de universidade, não teve a oportunidade de viajar pelas terras brasileiras, mas Rugendas, Spix e Von Martius aparecem como responsáveis pelo conhecimento de botânica, zoologia e etnografia do Brasil imperial.

Porém, no início do século 19, não era necessário ter um diploma para ser biólogo — bastavam a curiosidade, experiência e, diga-se a verdade, muito dinheiro na família.
Duzentos anos depois das expedições de Humboldt, o homem alterou tanto o meio ambiente que foram precisas leis para demarcar e preservar os espaços naturais. Uma das iniciativas de documentação desse patrimônio é o concurso fotográfico ‘Wiki Loves Earth’, promovido pelo Wiki Educação Brasil, grupo de pesquisa e trabalho associado à Wikimedia Foundation, organização que gere a Wikipédia.

Criado em 2013, na Ucrânia, o concurso promove a divulgação e o registro de parques, áreas de preservação, além de espécies da fauna e flora ao redor do mundo. Mais do que destinos de ecoturismo e aventura, as áreas de preservação são ecossistemas cruciais para a biodiversidade, nascentes e mananciais e equilíbrio sistêmico do meio ambiente — haja vista o que aconteceu nas áreas não preservadas da bacia do Rio Doce, com o desastre em Mariana, no fim de 2015, e no crescente perigo às nascentes que compõem a bacia do Rio São Francisco.

Todas as fotografias servirão para alimentar o Wikimedia Commons, repositório multimídia e de licença livre que fornece as imagens para os artigos da Wikipédia. Por meio desse trabalho, hoje, somos, enquanto participantes, uma espécie de versão atual dos exploradores oitocentistas: estudiosos livres, curiosos e observadores — sem precisar do dinheiro de família.

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