Por karilayn.areias

Rio - A ressaca moral do julgamento da chapa Temer-Vana ainda repercute, sentimento de injustiça não é fácil de digerir. O que interessa aqui não é a injustiça, é o poder de articulação do ministro. Todos recorrem a ele; já foi flagrado em ligações com políticos em apuros, pedindo aquela força para interferir em alguma decisão. Haja vista a ligação dele com Aécio, vejamos a decisão da Corte? Bombeiro vaidoso, apaga incêndios de autoridades em situações embaraçosas. Modéstia às favas, ele dá conta, é o cara da situação, é o nosso chefão.

A autoridade do ministro vale reverência: sua habilidade para interpretar a lei e manusear a Constituição. É inegável que ele faz valer sua vontade ou interesses que desconhecemos. Aguça a curiosidade especular como conseguiu tal façanha. O que sabe esse homem sobre as pessoas que comanda? O que acorda nas reuniões com políticos e necessitados de ajuda dentro do Judiciário? É um assistencialista.

No julgamento, enfrentou o MPF, dedo em riste, tal qual guarda de trânsito, ditando das alturas do poder que se vestiu. Lacrou que o momento não era adequado para o fiscal da lei trabalhar, e ponto final. Aos olhos leigos e do procurador, o ex-advogado de Vana estava impedido de votar aliviando a barra de sua outrora cliente. Votou, fez cara de sério e ainda esnobou para a nação que não confere saldo de conta corrente. Ele deve poder.

O ministro é sem dúvida nosso grande Imperador, o César tupiniquim aqui reverenciado. Há muito tempo não se via personalidade com tanto poder concentrado decidindo o presente e o futuro do país e de nossas vidas e da história do Judiciário. Só ele sabe o que é bom adequado e justo para seus súditos.

A mensagem ou lição danada, a moral da história para pobres mortais, é que não se pode destituir presidente corrupto em país que funciona na base da corrupção, desestabiliza a economia, atrapalha o desenvolvimento da nação. Fazer valer a lei aqui ainda não dá certo, a máquina não está preparada, é o alargamento moral e ético desses tempos. A lei é manuseada ao sabor do desejo dos acordos costurados. No teatro do julgamento, Herman era o único que não representava, não pareceu ser ator naquela performance.

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