Continentino Porto: Verdade pouco explorada

Eduardo Cunha conseguiu dar a volta por cima em 2001, ao ficar como primeiro suplente de deputado estadual na legenda do PPR

Por O Dia

Rio - Mais que oportunas as discussões em torno de quem deu o grande empurrão para que Eduardo Cunha fosse nomeado presidente da Telerj, antiga operadora de telefonia no Rio. Foi o então presidente nacional do PRN, Daniel Tourinho, hoje presidente nacional do nanico PTC, obviamente com a ajuda do tesoureiro da campanha de Fernando Collor à Presidência da República, Paulo César Farias.

Mesmo que o cargo tenha sido pedido por Tourinho a Collor, e como havia restrições ao seu nome — quer por parte do próprio presidente, quer pelo grupo das Alagoas, integrado por Renan Calheiros, Cleto Falcão, Claudio Humberto e Celso Cavalcanti —, o ato de nomeação ficou congelado na gaveta presidencial por meses.

Não é fundamentada a afirmação de que Cunha teria sido nomeado pelo PC Farias. No momento em que o nome de Cunha tinha restrições da turma de Alagoas, Tourinho, vendo dificuldades de emplacar o seu candidato, recorreu, então, a PC.

Depois de levar muito ‘chá de cadeira’, esperando por horas para ser recebido por PC, tendo sempre a tiracolo Cunha, Tourinho, depois de muitas idas e vindas a Brasília, foi recebido pelo todo-poderoso. Depois que esteve com PC, Tourinho demonstrou certo alívio, certo de que seu afilhado ocuparia o cargo.

Antes de ser deputado, Cunha se aproximou do então deputado federal Francisco Silva, ligado ao eleitorado evangélico fluminense e dono da rádio Melodia FM. No governo Garotinho, também ligado aos evangélicos, Francisco foi nomeado secretário de Habitação. Este, por sua vez, nomeou Cunha como subsecretário e posteriormente para a presidência da Cehab. Durou seis meses no cargo.

Foi o bastante para ser envolvido em um escândalo sobre licitações. Foi acusado de favorecer empreiteira vencedora de concorrências irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado. A denúncia foi motivo de matéria de Marceu Vieira, na ‘Época’, em 2001. O jornalista foi processado por Cunha, cujo processo teve como testemunhas eu e Marcos de Sá Corrêa. Marceu foi absolvido, e Cunha teve de pagar as custas do processo.

Eduardo Cunha conseguiu dar a volta por cima em 2001, ao ficar como primeiro suplente de deputado estadual na legenda do PPR. Assumiu o mandato com a renúncia do deputado José Amorim.

Isso lhe rendeu foro privilegiado. Na mesma época entrou na mira da Receita, que detectou movimentações financeiras incompatíveis com sua renda. Segundo o jornalista Paulo Branco, Cunha teria comprado o mandato.

Por trás dessa versão estaria o compromisso de José Amorim, após a renúncia, ser nomeado secretário de Habitação de São João de Meriti, onde ele já tinha sido prefeito. E aí, Paulo Branco faz a denúncia. Cunha e José Amorim processaram, e ele foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20 mil.

Vários jornalistas foram brindados com dezenas de ações na Justiça, promovidas por Eduardo Cunha, entre eles Marcos de Sá Corrêa, Ancelmo Gois, Mônica Ramos, Jorge Bastos Moreno, Luiz Nassif e Marceu Vieira.

Continentino Porto é jornalista

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