Breno Freitas: Células urbanas

O Rio cresce em direção à Zona Oeste, e nossos técnicos buscam resolver os problemas de infraestrutura e de mobilidade

Por O Dia

Rio - Como tornar a cidade mais densa — concentrada —, evitando grandes deslocamentos ? Como elaborar um sistema de transporte coletivo e de massa eficaz para aumentar a fluidez urbana ? É para responder a essas perguntas que os novos gestores públicos estão cada vez mais voltados para tornar nossas cidades mais justas e eficientes para todos os seus moradores. 

O Rio cresce em direção à Zona Oeste, e nossos técnicos buscam resolver os problemas de infraestrutura e de mobilidade. A solução do adensamento — da criação de áreas muito habitadas e densas — é apontada por muitos como solução para reduzir o impacto do crescimento, que afeta muito a mobilidade.

A criação de polos de cultura, entretenimento, negócios e turismo nas cidades, assim como de descentralização administrativa — subprefeituras e regiões administrativas com mais autonomia e integrando serviços públicos — pode ser uma saída para cidades médias também.

A revitalização das áreas portuárias e centrais — que apresentam infraestrutura ociosa nas redes de água, gás, cabos ópticos e gás encanado — foi um modelo internacional que já conseguimos absorver, como em Belém, Recife e Rio de Janeiro.

No entanto, é necessário também fazer projetos que pensem a qualidade ambiental. Atrair moradores, classe média, jovens profissionais e suas famílias é sempre desdobramento dessas revitalizações, que geram empregos e novas residências e aumentam a receita da cidade.

O adensamento sem planejamento é mero crescimento desordenado. Todos os técnicos que consulto — e cito em especial o professor Mauro Osório, presidente do Instituto Pereira Passos — sobre o tema são unânimes em afirmar que a infraestrutura compatível e qualidade do espaço público são questões que devem nortear a implementação do adensamento — que acompanham a criação de espaços públicos, cobertura verde e espaços capazes de criar qualidade de ar e conforto visual.

A criação e a aplicação de novas leis urbanísticas, em especial um novo Plano Diretor, podem dar às cidades um crescimento com descentralização em que o morador não precise se deslocar muito para trabalhar, se divertir ou mesmo para interagir com a municipalidade. Pensar a cidade como células autônomas se expandindo e se multiplicando é dar qualidade à nossa vida urbana.

Breno Freitas é assessor parlamentar

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