Roberto Muylaert: Oswaldo Aranha

Ele foi um personagem exponencial, no tempo em que havia homens públicos de verdade, pensando nos mais altos interesses do país, e não nos mesquinhos e vergonhosos interesses pessoais

Por O Dia

Rio - Para os leitores mais jovens, que conhecem apenas a política de hoje no Brasil, é bom saber que nem sempre foi assim. Havia gente que pensava nas questões nacionais e no relacionamento do país com o exterior.

O estadista Getúlio Vargas criou a Petrobrás quando as garras das ‘Sete Irmãs do Petróleo’ já estavam afiadas para dominar esse setor essencial no Brasil. Criou também a CLT, que garantiu os direitos dos trabalhadores quando eles não tinham nenhum.

Hoje, o partido que apregoa a defesa do trabalhador derreteu a Petrobras pela corrupção e agora defende uma CLT sem mudanças, desde 1943, o que é lesivo a todos. Esses comentários foram inspirados em livro que acaba de sair, ‘Oswaldo Aranha, uma fotobiografia’, editado com muita proficiência por Pedro Corrêa do Lago.

A trajetória desse brasileiro ilustre (1894-1960), conforme o jornalista Hélio Fernandes, citado no livro: “Quando alguém se dispuser a escrever a história do Brasil desses últimos 30 anos, poderá escrevê-la através da vida de Oswaldo Aranha. E constatará então que sua presença é constante em todos os acontecimentos históricos dessa época”.

Faz parte da biografia de Aranha a presença constante ao lado de Getúlio Vargas, quando surgiu como articulador principal da Revolução de 1930, mantendo fidelidade exemplar ao companheiro e amigo, até o célebre discurso à beira do túmulo de Getúlio, em que expressou sua tristeza e sua revolta de forma arrebatadora.

Charme pessoal, conhecimento político e a capacidade de fazer amigos fizeram de Aranha um dos raros brasileiros capazes de discutir de igual para igual com autoridades estrangeiras, como o presidente Franklin Roosevelt e Andrei Gromyko, ministro do Exterior da União Soviética.

Ocupou o elevado cargo de presidente da Primeira e Segunda Assembleia Especial da ONU, em que foi estabelecida a partilha da Palestina. Aranha conseguiu uma solução que criava os dois estados, Israel e Palestina, em 1948, mas os árabes não a aceitaram, e o impasse segue até hoje.

Oswaldo Aranha foi uma personagem exponencial, no tempo em que havia homens públicos de verdade, pensando nos mais altos interesses do país, e não nos mesquinhos e vergonhosos interesses pessoais, em detrimento da Nação.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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