Marcos Espínola: Caos social

Saímos de uma ditadura, otimistas com o futuro, para um presente amargo cuja violência, em todas as suas formas, nos aprisiona e reprime tanto quanto o estado ditador

Por O Dia

Rio - Seria impossível nos anos 1980 imaginarmos o caos social que nos encontramos. Das últimas três décadas pra cá, saímos de uma ditadura, otimistas com o futuro, para um presente amargo cuja violência, em todas as suas formas, nos aprisiona e reprime tanto quanto o estado ditador. A tortura e perseguição militar deram lugar à barbárie nossa de cada dia. Esta se apresenta tanto numa estrutura política contaminada, passando pelas más gestões públicas, chegando à violência física, na qual o povo paga com a própria vida.

A violência é inquestionável, e o alto número de homicídios e vítimas por balas perdidas, uma realidade. Estamos perdendo vidas na mesma proporção ou mais que em muitas regiões de guerra, num cenário de insegurança e terror, sem que a sociedade veja uma saída.

Isso acontece no Brasil inteiro, mas no Rio a situação é ainda mais trágica. O estado crítico das finanças agrava a segurança já fragilizada pelo insucesso das UPPs, programa promissor, mas que não resistiu à falta de investimento e a ausência de outras ações sociais que deveriam acontecer em paralelo.

A consequência foi o avanço da criminalidade e marginais portando armas de grande porte. Assaltos estão ocorrendo com fuzis, e a brutalidade, seja no roubo de um celular ou de um carro, é cada vez maior. Quando não são mortas, as vítimas sofrem agressões de toda ordem.

Morrem bandido, policial, chefe de família e criança. Assassinatos são destaques dos noticiários. Tornamo-nos numa sociedade sangrenta. O bandido foi para o asfalto, barbarizando a população, com arrastões ou ousadas ações isoladas em plena luz do dia. Com a certeza de um Estado impotente diante dessa guerra, invadem condomínios, shoppings, comércios. Tem de tudo, o tempo todo e em qualquer lugar.

A agenda é negativa. De positivo, o que tem ocorrido são apenas as iniciativas da sociedade civil e entidades de classe que estão se organizando para discutir onde estamos e para onde e como devemos ir.

O apoio da Força Nacional é pouco diante do livre comércio de armas que alimentam as facções, fortalecendo um Poder Paralelo consolidado. É preciso uma participação direta do governo federal para pensar a segurança pública com inteligência e estratégia; caso contrário, a matança desenfreada permanecerá como símbolo maior de nossa caótica sociedade neste século.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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