Marcus Tavares: Causa indígena não pode ser um detalhe

Com o objetivo de ouvir mais uma vez a sociedade, foram programadas cinco audiências públicas, sendo a primeira no Estado do Amazonas

Por O Dia

Rio - Diversidade, respeito às diferenças e à cultura dos povos indígenas. Essas foram as principais palavras de ordem da sociedade civil em audiência pública realizada sexta-feira, em Manaus, para debater o texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que está sob análise do Conselho Nacional de Educação (CNE).

O documento foi enviado ao órgão pelo MEC. Com o objetivo de ouvir mais uma vez a sociedade, foram programadas cinco audiências públicas, sendo a primeira no Estado do Amazonas. Até o fim do ano, o CNE deverá aprovar a versão final do documento, que, de caráter normativo, vai estabelecer os direitos e as metas de aprendizagem e desenvolvimento de crianças e jovens da Educação Básica.

A BNCC tem a premissa não de equalizar e homogeneizar o que se ensina e aprende no país, mas de garantir o direito de aprendizagem mínima consequente, contundente e transparente. O fato é que o documento deixa, para muitos especialistas, lacunas que precisam ser resolvidas.

Com certeza, uma delas é a causa indígena, como ficou evidente em Manaus. De acordo com lideranças, a força, a importância e a contribuição dos povos não foram contempladas como mereciam.

Contrassenso num cotidiano em que diversidades étnicas e culturais se tornam cada vez mais emblemáticas. Representantes locais pediram ao ‘homem branco’, aos ‘doutores da lei’, que não passem por cima dos índios, de uma cultura que luta para manter sua rica tradição. Enquanto a atual versão obriga o ensino da Língua Inglesa, nenhuma alusão direta é feita às 274 línguas indígenas faladas no Brasil.

Fazendo coro às reivindicações, representantes da sociedade civil também questionaram a necessidade de o texto da BNCC dar destaque à questão da identidade de gênero e de orientação sexual. Segundo o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o tema precisa estar presente, uma vez que faz parte das discussões da escola de qualquer parte do país.

Depois de Manaus, as audiências acontecerão em Recife, São Paulo, Fortaleza e DF. Interessados devem se inscrever pelo site do CNE. Têm até 11 de setembro para enviar críticas e sugestões. A participação de todos é necessária para que o texto contemple as aspirações da sala de aula. Disso não podemos abrir mão.

Marcus Tavares é professor e jornalista

Últimas de Opinião