José Francisco Kerr Saraiva: idosos e doenças cardíacas: projeção para 2050

Dentre os diversos alertas que o envelhecimento pode gerar, a saúde do coração é uma das questões que mais preocupam, e uma condição em especial chama mais a atenção: a fibrilação atrial

Por O Dia

Rio - É um movimento global e sem volta. Segundo o IBGE, a população idosa triplicará em 40 anos, passando de 19,6 milhões (2010) para 66,5 milhões em 2050 (29,3%). Dentre os diversos alertas que o envelhecimento pode gerar, a saúde do coração é uma das questões que mais preocupam, e uma condição em especial chama mais a atenção: a fibrilação atrial (FA).

De 20% a 30% dos AVCs são atribuídos a causas cardioembólicas, entre elas a FA, tipo de arritmia. Estima-se que 8% das pessoas com mais de 80 anos sofram de FA. Logo, em 2050 serão 2,3 milhões de idosos com essa condição apenas nessa faixa etária. Ou seja, milhões de pessoas com cinco vezes mais risco de sofrer AVC, cujo tratamento na rede particular custa R$ 50 mil.

É preciso discutir prevenção, diagnóstico e tratamento para que milhares de pessoas possam ter melhor qualidade de vida. O desenvolvimento de FA está relacionado a diversos fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, uso de bebidas alcoólicas, histórico familiar e fatores genéticos. Portanto, vale atentar-se para as comorbidades que tendem a levar a esta grave doença.

Uma das opções de tratamento mais eficientes e seguras, conforme reiteram recentes estudos internacionais, é a dabigatrana, presente no Brasil desde 2009. Naquele ano, foi publicado no JAMA Internal Medicine estudo com 118 mil pacientes de FA com mais de 65 anos que comparou o tratamento da dabigatrana com rivaroxabana (outro tipo de medicamento da mesma categoria), sendo observado aumento significativo do risco de sangramento com esta última medicação.

Análises como esta oferecem informações valiosas para que médicos optem pelo tratamento com maior benefício aos pacientes. Afinal, segurança é fundamental quando falamos em anticoagulantes, e a dabigatrana tem se apresentado como uma opção com melhores resultados.

Evidentemente que a forma como estes milhões de brasileiros com FA serão tratados dependerá de cada especialista, mas, quando temos atualizações sobre as terapias disponíveis, é sempre válido reforçar a importância do debate sobre a doença para que estes pacientes tenham direito a melhor qualidade de vida e ao tratamento mais seguro.

José Francisco Kerr Saraiva é cardiologista e professor na PUC Campinas

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