Roberto Muylaert: patético

Riscos também vindos de quem mais se aproxime, com muita ideologia e pouco dinheiro

Por O Dia

Rio - Impressionante como o governo que pretendia tirar o país da miséria conseguiu cumprir sua meta num primeiro momento, ao fazer com que as classes mais humildes tivessem seu momento de pertencimento. Ao fim, foi o que se viu: todo mundo nivelado por baixo, como acontece hoje, quando os sintomas de decadência econômica (e moral) estão por toda parte.

Curioso como os governos “do povo” resolveram diminuir os negócios com os Estados Unidos, “país imperialista”, e cerrar fileiras com as chamadas “ditaduras socialistas”, com quem teriam laços ideológicos.

Esqueceram de que não há socialismo entre países, e quando se resolve fazer uma refinaria com a Venezuela do presidente Chávez, ou do atual Maduro, sabe-se de antemão que nessa pseudossimbiose socialista a conta vai sobrar para o Brasil e o BNDES. Riscos também vindos de quem mais se aproxime, com muita ideologia e pouco dinheiro.

Governos populistas têm uma trajetória sempre igual mundo afora. Num primeiro momento, saem recursos a fundo perdido para a população e empresas escolhidas, até descobrir que governo não gera dinheiro, e sim a iniciativa privada, capaz de criar riqueza- e pagar os respectivos impostos com os resultados conquistados.

Quando o governo acha que cria dinheiro, dá no que deu, empresas fechando em série. Cada porta fechada corresponde a um negócio quebrado, e respectivos empregos perdidos.

Incrível é que ainda exista congestionamento de trânsito em São Paulo, mesmo havendo bem menos postos de trabalho para onde se dirigir. No Rio, até o número de carros começa a ceder. Segundo Fernanda Torres, na ‘Folha de S. Paulo’ de 30/6: “Moro em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, no caminho do Túnel Rebouças… aprendi, com a vida, a lidar com o eterno engarrafamento… de janeiro para cá, os congestionamentos desapareceram como que por milagre… era a crise e a depressão na cidade. Os restaurantes estão vazios, os teatros fecharam, as lojas se foram e os hotéis olímpicos acabaram às moscas”.

Mais significativo do que isso, só minha experiência recente em Paraty, quando passei por um restaurante grande, em horário nobre, com as mesas totalmente vazias, e o cantor interpretando com alma e bom som um sucesso de Djavan, para deleite apenas dos garçons. Patético.

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