Adilson Pires: A qualquer custo

Apeado ao poder pela violência de um golpe, Temer nunca conquistou os corações e mentes dos brasileiros

Por O Dia

Rio - Seja qual for o desfecho do processo de Michel Temer, sua passagem pela Presidência da República terá sido um episódio lamentável e deprimente. Uma página infeliz da nossa história. Um presidente fraco, impopular, que chegou e se manteve no poder a todo custo, apesar de tudo.

Todo político que ocupa um cargo público da estatura de líder de uma nação como o Brasil sonha em deixar seu nome na história, com feitos, marcas e realizações que tragam boas lembranças às gerações futuras. Certamente não será o caso do nosso atual presidente. Apeado ao poder pela violência de um golpe, ele nunca conquistou os corações e mentes dos brasileiros.

Ao contrário, passa o tempo se equilibrando numa corda bamba, entre denúncias, delações, declarações lamentáveis e reformas que lesam o trabalhador. Um mandato tão pequeno que a razão da permanência de seus próprios aliados é a sua fragilidade.

A exemplo dos velhos coronéis, Temer se impõe pela força e agora é usado para tirar direitos históricos e legítimos do sofrido povo brasileiro. Definitivamente, depois de todas as lutas, de figuras memoráveis na luta pela redemocratização, de todas as batalhas que enfrentamos, o Brasil não merecia ter na sua história um presidente tão fraco, medíocre, agarrado ao poder pelo poder.

Triste momento da nossa democracia. Num país onde as mulheres têm conquistado por esforço próprio e muita luta cada vez mais espaço, Michel Temer não mede palavras para mostrar o preconceito entranhado em sua cabeça.

No Dia da Mulher, o presidente sem voto rebaixou-a a patamares medievais. Em discurso constrangedor no Planalto, afirmou: “Tenho convicção do quanto a mulher, pela minha criação, pela Marcela, faz pela casa, pelo lar, pelos filhos. Se a sociedade vai bem, se os filhos crescem, é porque tiveram adequada formação em suas casas e, seguramente, quem faz isso não é o homem, é a mulher.”

Sem qualquer bom senso, o presidente ilegítimo matraqueia absurdos a seu bel-prazer. Em janeiro deste ano, Temer classificou como um “acidente pavoroso” o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, quando 56 presos foram chacinados em uma rebelião. O legado de Temer será uma “passagem desbotada na memória” do país.

Adilson Pires é ex-vice prefeito do Rio e secretário municipal de Desenvolvimento Social

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