Egon Daxbacher: hanseníase: tem cura e tratamento de graça

Os sintomas podem ser silenciosos, e o Brasil registra a segunda maior incidência da doença no mundo

Por O Dia

Rio - Vem de longe, muito longe, o conhecimento do homem sobre a hanseníase. Citações no Novo Testamento indicam o sofrimento de quem tinha a doença e clamava a Jesus pela cura divina. Mais de 2 mil anos depois, enfrentar a doença — que é conhecida a partir do ano 600 antes de Cristo — é um desafio que encontra no preconceito seu primeiro obstáculo. Um bom começo é eliminar do vocabulário a palavra ‘lepra’.

A hanseníase, doença infecciosa provocada por uma bactéria, é transmitida por gotas de secreção do nariz ou saliva, atinge a pele e nervos e pode gerar deformidades físicas. A enfermidade tem cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os sintomas podem ser silenciosos, e o Brasil registra a segunda maior incidência da doença no mundo, com mais de 25 mil novos casos por ano, perdendo apenas para a Índia, com 127 mil novos casos anualmente. Quase 1.700 casos novos de incidência em menores de 15 anos foram detectados no país em 2016.

No ano passado, foram registrados no Estado do Rio de Janeiro 1.094 casos da doença, 46 deles em jovens com menos de 15 anos, e 327 na capital, sendo 10 em menores de 15 anos, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.

Para chegar a 100% de cura, é preciso seguir o tratamento até o fim e levar a todos os cariocas e fluminenses, além do diagnóstico, o acesso ao tratamento adequado. E a ação começa na atenção primária.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ) vem centrando esforços, com a ajuda de especialistas em hansenologia, com a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde, na criação de dois guias — um de diagnóstico e tratamento e outro de complicações — voltados para médicos e profissionais de saúde que atuam nas clínicas de família e centros municipais de saúde.

Nesta semana, em que é lembrado o Dia Estadual de Combate à Hanseníase, a SBD-RJ começou a veicular um vídeo em algumas redes de cinema e redes sociais sobre preconceito. E o Cristo Redentor será iluminado de roxo neste sábado, das 19h às 20h. É a boa informação de braços abertos à população.

Egon Daxbacher é presidente da SBD-RJ

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