Jorge Braz: Freio ao consumo que mata

Grande desafio é fazer valer o consumo sustentável. E sustentável não só no sentido de preservar o planeta, mas também o consumidor

Por O Dia

Rio - Neste dia em que o Código de Defesa do Consumidor completa 27 anos, o grande desafio é fazer valer o consumo sustentável. E sustentável não só no sentido de preservar o planeta, mas também o consumidor, cada vez mais doente por conta de uma produção em que o objetivo número um é o lucro a qualquer preço.

Recentemente, o prefeito Marcelo Crivella publicou decreto proibindo a comercialização de amianto no Município do Rio de Janeiro. O produto, utilizado na fabricação de telhas e caixas d'água, é reconhecido, pela Organização Mundial de Saúde, como altamente cancerígeno. A decisão foi tomada no início da atual prefeitura, mas os danos causados pela substância são bem antigos.

Assim como também são antigos os estudos que mostram que o plástico utilizado em potes de cozinha, garrafas e latas de alumínio possuem uma substância cancerígena: o bisfenol A, que, segundo especialistas, é liberado quando esses produtos são aquecidos ou congelados. Em 2012, a Anvisa proibiu a comercialização de mamadeiras com bisfenol A. Mas o risco para os adultos está por todos os lados. A substância pode provocar, segundo estudos, câncer de mama e de próstata, além de outros problemas.

Passando pelos agrotóxicos e conservantes, os riscos à saúde estão na mesa do brasileiro todo dia. O comércio de venenos é liberado, desde que sacie a sede de lucro dos empresários.

Nunca se viram antes tantos casos de câncer como agora, e essa química lucrativa é uma das maiores causas. Mas ela precisa de um freio. A vida vale mais do que o consumismo. Precisamos de leis federais mais severas contra o comércio que mata. A economia não pode crescer a qualquer preço. E vale, aqui, evocar a conscientização dos empresários para uma produção sustentável para o consumidor. Se não for espontaneamente que seja pela força de novas leis e penalidades. 

?Jorge Braz é presidente do Procon Carioca

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