Paulo Amendola: O custo-benefício das tropas no Rio

Manter tropas na cidade representa investimentos vultosos, mas os resultados práticos dessa equação estão longe de justificar as cifras investidas até agora

Por O Dia

Rio - É indiscutível que a presença de tropas das Forças Armadas e de afetivos da Força Nacional de Segurança no Rio, sobretudo no atual cenário, traz uma sensação agradável de segurança. A presença de blindados nas ruas pode ser garantia ao direito de ir e vir, principalmente, nas regiões consideradas de risco. Por outro lado, não podemos ignorar o indicador custo-benefício. Manter tropas na cidade representa investimentos vultosos, mas os resultados práticos dessa equação estão longe de justificar as cifras investidas até agora.

A necessidade de apoio da União ao enfrentamento da criminalidade no Rio foi bem colocada pelas autoridades federais. Os esforços de ministros da Defesa; da Justiça e Segurança Pública do Gabinete de Segurança Institucional têm sido enormes no sentido de viabilizar recursos e pessoal para ajudar a cidade. Contudo, quando as tropas saem do campo de visão, o sentimento de medo volta a assombrar o carioca, sobretudo em determinadas regiões, face à criminalidade fortemente armada.

Para fazer frente à criminalidade, acredito que o melhor seria investir esse dinheiro diretamente nas polícias Militar e Civil, por intermédio da Secretaria Estadual de Segurança. As corporações do Estado possuem todas as condições de inverter com mais eficiência no cenário latente de insegurança. E o que falta? Apenas recursos financeiros e motivação. E aqui o quadro é lastimável! Falta tudo! E assim sendo, não podem dar a resposta que a sociedade cobra.

O investimento de recursos diretamente na Secretaria de Segurança, não tenho dúvida, garantiria resultados proporcionais ao socorro financeiro que possa ser prestado a área. Acredito que o secretário Roberto Sá tem plena capacidade de liderar as forças de Segurança do Estado, contando com integral colaboração da Secretaria Municipal de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, que por meio da Guarda Municipal já vem assumindo o protagonismo no enfrentamento aos pequenos delitos. Assim, livre da sobrecarga, a PM pode atuar efetivamente contra os crimes de maior potencial.

Paulo Amendola é secretário municipal de Ordem Pública, coronel reformado da PM e criador do Bope e da Guarda Municipal do Rio

Últimas de Opinião