Fernando Scarpa: A ciranda do fracasso

A discussão nas rodas de amigos gira em torno de quem será o novo presidente. A política parece ser a arte da traição

Por O Dia

Rio - Agradar a gregos, troianos e brasileiros sempre foi complicado: são inúmeros partidos interessados em dividir o bolo de dinheiro, todos querem dar aquela mordida na bufunfa. Brasília é um grande balcão de negócios, e o bolso dos nossos queridos políticos está sempre na frente do nosso.

A preocupação com a Reforma Política reflete o pavor de não serem reeleitos, querem permanência dos mandatos e contínuo agenciamento com a corrupção junto ao foro privilegiado. Aquele dinheiro farto, as viagens, as joias, os restaurantes caros, o glamour e a impunidade. Cabral chora, Geddel mais ainda, é a realidade inimaginável nos tempos dos guardanapos na cabeça comemorando em Paris o fruto do roubo. O poder inebria, entontece e fascina.

A discussão nas rodas de amigos gira em torno de quem será o novo presidente. A política parece ser a arte da traição. Ciro Gomes já quis sequestrar Lula caso fosse decretada sua prisão. Hoje, já não diz o mesmo. Lula elogiava Palocci, hoje o descredencia. Geddel já foi ministro elogiado, hoje está esquecido por Temer e Lula. Assim segue a humanidade.

Mas quem será o novo presidente? O tempo é curto para surgir candidato que agrade ao eleitor. O estoque de políticos que retornam à mídia se propondo resolver o Brasil está defeituoso. Alguns já foram testados e não funcionam, e creio que nem é o caso apostar em uma pessoa.

Haverá alguém capaz de conciliar e aprovar medidas necessárias ao desenvolvimento real da nação sem ter que negociar com essa adversidade de partidos que temos? Não creio, você crê? Quem mudará a regra desse jogo viciado de aprovar reformas mediante cargos e vantagens? É claro que o novo presidente ou presidenta terá que conviver com a cultura do vício no dinheiro público e cairá nesse buraco em que nos encontramos.

Será mais um a cair na ciranda do inevitável fracasso das nossas esperanças enquanto não mudar a cultura do político brasileiro que se elege em nome do povo e depois legisla em proveito próprio, negociando seu voto saqueando a nação. Pobre de nós, estamos condenados, só nos resta não ir às urnas. Bobagem, ilusão, sempre haverá outro sonhador apostando no voto e esquecendo que uma andorinha só não faz verão!

Fernando Scarpa é psicanalista

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