Breno Freitas: Tá ligado?

Nunca o mundo foi tão 'jovem': temos 1,8 bilhão de pessoas entre dez e 24 anos de idade, a maioria em países em desenvolvimento

Por O Dia

Rio - Nunca o mundo foi tão 'jovem': temos 1,8 bilhão de pessoas entre dez e 24 anos de idade, a maioria em países em desenvolvimento. No Brasil, cerca de 20% dos jovens de 15 a 29 anos um contingente de 33,5 milhões não estudam nem trabalham, segundo dados de agências internacionais destinadas à juventude.

Qual seria o impacto dessa multidão de enorme vigor físico, intelectual e criativo se boa parte estivesse voltada à construção de uma sociedade melhor? O que poderíamos fazer pelo país se essa parcela estivesse recebendo de governos e sociedade mais atenção e investimentos? Uma juventude que se informa pelo smartphone, que vê e percebe o mundo de forma diferente, interage e desconfia da política pode mudar muita coisa.

No Rio de Janeiro principalmente no interior do estado , temos grave quadro de abandono desse potencial. Enorme parcela da juventude da área rural e de pequenas e médias cidades fluminenses vive sem trabalho e sem estudo, com energia e alegria usadas por organizações criminosas ou mesmo 'jogadas fora' com drogas e aí incluindo todas as bebidas alcoólicas 'lícitas', mas que causam tanta dor às famílias.

A população jovem brasileira é profundamente afetada pelas contradições da sociedade e que assiste, pela mídia, à cultura da ostentação, do acúmulo sem mérito e pela perda de valores familiares que durante décadas foram sempre os melhores guias e referências. Uma parcela sensível que está iniciando sua trajetória de conhecer o mundo e encontra péssimos exemplos na política e na comunidade que vive. O país tão profundamente jovem não pode seguir perdendo jovens para a violência urbana, para as drogas e para o desemprego.

Até Teresópolis a única cidade do estado a entrar na lista das mais seguras do país viveu semana passada cenas de descontrole, para a surpresa de muitos. Embora seja um problema de características nacionais e complexas, acredito que as cidades podem cumprir papel importantíssimo de reverter esse quadro fornecendo a esses jovens uma das mais importantes armas que eles poderão conseguir: a esperança. Parceiros como Sebrae e Firjan podem fazer inclusão social com seus projetos de empreendedorismo, onde os jovens cidadãos são conduzidos a uma posição de produtividade e não apenas de esperar por benefícios públicos.

Perde-se uma geração quando ela não tem mais a capacidade de inovar, ousar e introduzir inspiração aos mais velhos. As pequenas e médias cidades podem ser catalisadores dessa enorme força criativa que vem da juventude. Precisamos de pequenas 'usinas' onde essa energia seja redirecionada para o bem coletivo.

Não faltam projetos, ideias, investimentos. O desafio não é salvar a juventude ela mesma é capaz disso. O que precisamos é ouvir mais as vozes que vêm dessa geração, votar neles, aplaudi-los, incentivar a que nos apresentem ideias, financiar seus sonhos. Só uma sociedade que olha para sua juventude e acredita nela, pode encontrar respostas. 'Tá ligado ?'

Breno Freitas é assessor parlamentar

 

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