Zeidan: turismo nas favelas e omissão dos governos

O turismo que existe e resiste nas favelas está abandonado à própria sorte dos moradores

Por O Dia

Rio - As favelas de interesse turístico vão finalmente entrar no mapa oficial da cidade do Rio de Janeiro. Nada mais justo, e a promessa foi feita, na semana passada, na audiência pública que promovemos na Comissão de Turismo da Alerj. Selamos um acordo entre a Riotur e os moradores e representantes das associações das principais favelas, que hoje são ponto de visitação turística, antes excluídas do mapa oficial da cidade.

Rocinha, Santa Marta, Chapéu Mangueira, Vidigal, Pereirão e Providência estavam, literalmente, fora do mapa. A morte da turista espanhola com um tiro de fuzil por um policial militar mostrou o quanto é importante o poder público estar atento ao que acontece também no turismo das favelas. Seja para quem quer visitá-las, ou não, saber da existência das favelas é importante. A morte foi uma fatalidade, um ponto fora da curva em relação ao turismo em favela, mas serviu de alerta para as autoridades.

Não se pode mais negar que as favelas estão aí, para serem conhecidas, e que é preciso segurança. O resultado prático da audiência foi a promessa de a Riotur fazer uma versão virtual dos mapas mais rapidamente, antes da alta temporada. É importante também que os turistas busquem o apoio de guias de turismo das comunidades, que são os mais credenciados a saber de suas características e cultura.

Foi a primeira vez que a Comissão de Turismo tratou deste tema, sempre relegado a segundo plano, invisibilizado. O poder público da nossa cidade não pode fechar os olhos para o que está acontecendo. O Ministério do Turismo, criado em 2003, pelo presidente Lula, sempre apoiou o turismo nas mais variadas comunidades, fossem elas favelas, quilombos, reservas indígenas.

Ou seja, o turismo que existe e resiste nas favelas está abandonado à própria sorte dos moradores. Reclamam da exclusão das favelas dos folhetos ao longo de vários governos. É um erro que precisa ser reparado e com urgência. A sociedade espera por isso. Não podemos viver numa cidade partida, como diz o poeta-sambista, "pois se derem vez ao morro, toda a cidade vai cantar".

Zeidan é deputada estadual e vice-presidente da Comissão de Turismo da Alerj

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