Roberto Muylaert: Algo por aqui deu certo

A Embraer é um dos raros casos de sucesso de um produto nacional projetado e montado aqui, com venda para o mundo inteiro

Por adriano.araujo

Rio - A Embraer é um dos raros casos de sucesso de um produto nacional projetado e montado aqui, com venda para o mundo inteiro. É o que aconteceu antes com Japão, passando por Coreia do Sul e China: começam copiando e superam os copiados.

Já nós aqui não copiamos carros, compramos os direitos de fábricas alemãs, americanas, japonesas, etc., sem a manha de desenvolver projetos próprios.

Em compensação, temos a terceira maior fábrica de aviões do mundo, logo após Boeing e Airbus, embora numa desproporção enorme: Boeing: 100 bilhões de dólares de faturamento/ano; Embraer: sete bilhões de dólares.

A Embraer foi fundada em 1969, apoiada no CTA, Centro Técnico de Aeronáutica, e no ITA, escola de engenharia aeroespacial, tendo dois nomes a destacar, Casimiro Montenegro Filho e Ozires Silva, que criaram o Bandeirante, o primeiro avião brasileiro com mercado no exterior.

Dali para a frente, ainda como estatal, a Embraer continuou a desenvolver produtos, como turboélices. Como toda boa estatal, começou a ficar inviável, não obstante o montante de recursos que o governo colocou na empresa, o que permitiu que pudesse ser privatizada.

Na iniciativa privada desenvolveu jatos de até 100 passageiros, que encontraram mercado ávido por esses produtos, no mundo todo. A grande sacada da Embraer é que ela não concorre com as gigantes Boeing e Airbus, cujos aviões começam na casa de 170 passageiros. A única rival é a Bombardier, canadense. A nova linha da Embraer ampliou o número de assentos para até 150.

Acontece que a Airbus comprou a Bombardier e, com isso, a Embraer passa a disputar o mercado dos aviões regionais com a gigante Airbus.

O que fez a Boeing chegar-se à nossa Embraer, com sérias intenções de compra. Mas, na privatização, o governo tem uma "golden share", ação que depende de sua autorização para efetuar a venda da companhia. É, de fato, questão de segurança nacional ter uma fábrica como essa.

Resultado, vamos ficar com o melhor dos mundos. Com a produção e vendas da Embraer reforçada pela Boeing, mas mantendo a maioria das ações por aqui.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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