Por monica.lima
Publicado 05/11/2014 11:34 | Atualizado 05/11/2014 11:44

Por Iolanda Nascimento

O mercado brasileiro de previdência privada aberta espera que finalmente saia do papel no próximo ano o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) Saúde. O produto vem sendo desenhado há cerca de cinco anos e poderá duplicar o número de participantes nesse mercado, além de aproximá-lo de seu potencial de R$ 2 trilhões, ante o R$ 1 trilhão atual, quando somado com a previdência fechada. Conforme Osvaldo Nascimento, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), o projeto teve avanços significativos este ano, uma vez que a Superintendência Nacional de Seguros Privados (Susep) abriu consulta pública, encerrada em 15 de setembro, para que as seguradoras pudessem opinar sobre as regras do plano. Também tramita no Congresso um projeto de lei que regulamenta o plano, prevendo isenção de Imposto de Renda, seu principal atrativo, se os recursos acumulados forem gastos com saúde.

As principais seguradoras brasileiras esperam apenas os trâmites finais para lançar seus produtos. Mas enquanto isso não acontece, elas afiam as estratégias para manter e continuar expandindo suas carteiras nesse momento desafiador para o mercado. Entre as principais ações, as empresas estão investindo em lançamentos e remodelação de produtos; taxas diferenciadas; exploração de novos nichos de mercado e avanço sobre outros hoje ainda pouco desenvolvidos; e expansão geográfica da atuação. Mas especialmente investem em pesquisas de mercado, para conhecer melhor o investidor, e programas de educação financeira e previdenciária para que os clientes tenham consciência de que é um produto de longo prazo, pouco afetado pelas volatilidades do curto prazo, e que os seus principais benefícios, como os fiscais, perdem os efeitos com os resgates antecipados, que por sua vez atrapalham a vida dos gestores.

“Investimos muito em educação, principalmente do público mais jovem”, diz Miguel Cícero Terra Lima, presidente da Brasilprev Seguros e Previdência, que já contabiliza mais de 1 mil palestras e 50 mil participantes em seu projeto. Em parceria com Fundação Getulio Vargas (FGV), a Icatu Seguros oferece há cerca de um ano cursos online gratuitos de organização financeira e já contabiliza mais de 480 mil inscritos, segundo Sérgio Prates, superintendente de produtos de previdência da companhia.

Investem ainda no treinamento de distribuidores, para que ofereçam os produtos certos de acordo com o perfil e a necessidade do comprador. “É a qualificação na oferta do produto que vai consolidá-lo como previdência de longo prazo. Por isso, investimos muito em treinamento de pessoal para que a oferta tenha qualidade”, afirma o presidente da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio de Oliveira. Prates, da Icatu, diz que a seguradora tem investido bastante também em distribuição, ampliando a rede. “Nós últimos três anos, investimos muito na abertura de escritórios e hoje estamos praticamente em todas as capitais.”

Na área de produtos, as empresas têm concentrado foco na oferta de produtos específicos de acordo com o perfil de clientes, explorando suas necessidades de poupança de longo prazo, seja para aposentadoria ou a realização de algum projeto. Nesse contexto, os planos direcionados para os filhos vão conquistando mercado. Dados da FenaPrevi mostram que entre janeiro e julho deste ano os investimentos nessa modalidade cresceram 10,82%, ante o mesmo período de 2013, para R$ 1,1 bilhão.

As seguradoras também estão concentrando mais esforços nos planos empresariais, especialmente os voltados para as pequenas e médias companhias, segmento ainda pouco desenvolvido no Brasil. “Estamos desenhando novo produto para esse nicho, que deve chegar ao mercado em janeiro. Em agosto do ano passado, remodelamos um que estava na prateleira e com as alterações conseguimos arrecadar neste último ano tudo o que ele havia vendido em suas histórias”, conta Terra Lima, sobre o potencial desse mercado, que pode também ser verificado na pesquisa da FenaPrevi. No acumulado do ano até julho, os aportes nos planos empresariais cresceram 23,12%, para R$ 4,7 bilhões e tendem a crescer mais ainda.

Andrea Levy, assessor da presidência e especialista em longevidade da Mongeral Aegon, diz que o mercado de previdência privada brasileira é muito novo e, por isso, ainda em evolução, com vários nichos a ser explorados. O que a companhia vem fazendo com sucesso. A Mongeral tem crescido ao apostar em nichos, como produtos de previdência direcionados para o funcionalismo público e cooperativas, além do público de alta renda, na área individual. “O cooperativismo cresce entre 20% e 30% ao ano no Brasil, enquanto em outros países já está instalado. É uma área de muita oportunidade”, diz Levy, afirmando que a empresa atua nesse segmento há apenas cerca de 3 anos e ele já responde por algo entre 5 e 10% do faturamento.

ESTRATÉGIAS

? Em parceria com Fundação Getulio Vargas (FGV), a Icatu Seguros oferece há cerca de um ano cursos on-line gratuitos de organização financeira e já contabiliza mais de 480 mil inscritos.

? A Mongeral tem crescido ao apostar em nichos, como produtos de previdência direcionados para o funcionalismo público e cooperativas, além do público de alta renda, na área individual.

? A Brasilprev Seguros e Previdência investe em educação, principalmente do público mais jovem e ja contabiliza mais de 1 mil palestras e 50 mil participantes em seu projeto.

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