Trem de levitação é aberto ao público para viagens demonstrativas na UFRJ

Linha experimental é alimentada por quatro painéis de energia solar. Além disso, veículo não emite poluentes no ar

Por O Dia

Rio - Uma alternativa bem mais barata que o metrô e tão em conta quanto o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O trem que levita, projeto desenvolvido há 18 anos pela Coppe/UFRJ, poderia ajudar os cariocas a enfrentar os grandes congestionamentos no Centro do Rio. O Maglev-Cobra, veículo de levitação magnética que usa ímã e supercondutores para percorrer trilhos, passou a ser usado experimentalmente desde ontem, dentro da Cidade Universitária, na Ilha do Governador.

A proposta dos pesquisadores é que a opção de transporte seja adotada em curtas distâncias, como o trajeto de pouco mais de dois quilômetros entre a Leopoldina — estação ferroviária desativada desde 2004 — e a Rodoviária Novo Rio. O protótipo em escala real faz o percurso entre o Centro de Tecnologia 1 ao Centro de Tecnologia 2 da UFRJ e ficará aberto ao público, sempre às terças-feiras, das 11h às 12h e das 14h às 15h. O veículo estava operando desde outubro de 2015 para autoridades das comunidades científica e acadêmica.

Trem de levitação é aberto ao público na UFRJ para viagens demonstrativasDivulgação Coppe

Alimentados por quatro painéis de energia solar, o transporte tem custo bem mais econômico do que o metrô subterrâneo, garante o professor Richard Stephan, doutor em Engenharia Elétrica e um dos coordenadores do projeto. “Não tenho os valores exatos para comprar os custos. Mas o nosso projeto fica quatro ou cinco vezes mais barato do que o metrô em relação a custos por quilômetro. Estima-se que o gasto seria algo muito próximo do que o do VLT”, diz ele.

A ideia de Stephan, que se iniciou em 1998 com outros três professores, é a de que o Maglev-Cobra funcione como uma alternativa real à mobilidade urbana, interligando pontos da cidade, como a Leopoldina e a Novo Rio. O Maglev transporta até 30 passageiros por viagem e circula a uma velocidade de 10 km/h. É possível, no entanto, conectar novos módulos, de 1,5 metro de comprimento cada, e aumentar a capacidade do veículo que, em percursos mais longos, pode chegar a velocidade de 100 km/h.
Engenheiro de transportes e professor da Uerj, Alexandre Rojas diz que o projeto atenderia às necessidades da população.

“Em Shangai (China), por exemplo, este tipo transporte é muito importante porque funciona 24h e liga o aeroporto ao Centro, algo em torno de 30 a 50 quilômetros. É bem parecido com a distância entre o Aeroporto Tom Jobim e o Centro do Rio. Seria uma forma de ajudar a desafogar o trânsito”, afirma Rojas.

Reportagem de Marlos Bittencourt

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